"A Revolução dos Bichos" é uma das obras mais célebres de George Orwell. Nela, o escritor e jornalista inglês conta uma fábula sobre animais de uma granja no interior da Inglaterra que se juntaram para lutar contra a opressão tirânica dos humanos que são os donos do local. Após a vitória, os bichos assumem o controle e instituem uma forma de governo aparentemente perfeita.
Aparentemente porque a sociedade animal comunista que ali se constituía começou a degringolar para o totalitarismo, quando os líderes do movimento, os porcos, passaram a agir como déspotas e usavam a propriedade apenas para saciar seus desejos e planos, inclusive retomando o contato com os humanos que havia sido abolido. A situação fica tão crítica que, no fim, de tão iguais, em todos os sentidos, já não se sabia quem era porco e quem era homem.
Na realidade, a "fábula orwelliana" era uma parábola crítica à Revolução Russa, que eclodiu em 1917 e mudou o curso da história recente da humanidade. O episódio marcou o fim do regime absolutista dos czares e o início do Partido Bolchevique no governo, o que culminou na formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Orwell era comunista e havia lutado, inclusive, nas forças oposicionistas à ditadura fascista de Francisco Franco na Espanha, o chamado "franquismo", mas sempre foi sua vontade denunciar que o regime socialista que os líderes da Revolução Russa tentavam impor no país não era tão perfeito; muito pelo contrário, oprimia a população das camadas sociais mais baixas que tanto apoiava a mudança.
Ainda assim, mesmo que a crítica fosse exclusivamente a esse episódio, "A Revolução dos Bichos" é uma obra literária eterna que pode ser aplicável em qualquer lugar do mundo e em qualquer época em que se leia. É possível traçar um paralelo com a realidade do nosso País, do nosso Estado e da nossa cidade. Em se tratando de Poder Público, é perfeitamente possível perceber na vida real várias semelhanças com o que mostra a fábula.
Na política, por exemplo, sempre ocorrem os embates de grupos rivais, principalmente quando um deles está no poder. É quando surgem alguns e dizem como se deve governar. E quando eles assumem o comando, os mesmos erros, deslizes, ingerências e leviandades são praticados - até que apareça mais uma corrente política para bradar o contrário. E aí as pessoas se veem em um círculo vicioso eterno. Porque, no fim, os porcos, que tanto combatiam os humanos, sempre quiseram ser homens.