Seria cômica, se não fosse trágica, a postura do vereador de Suzano Carlos José da Silva (PSDB), o Carlão da Limpeza, que preside a Comissão de Ética da Câmara e está incumbido de apurar denúncias contra Denis Cláudio da Silva (DEM), que teve medicamentos apreendidos em seu gabinete pela Polícia Militar há pouco mais de uma semana, além de ser investigado pelo Ministério Público por possíveis irregularidades em processos de licitação quando ainda era presidente da Casa de Leis.
Apesar da atribuição do vereador ser bastante séria e relevante, Carlão da Limpeza parece não estar dando a devida importância ao caso e ao trabalho para o qual é muito bem pago para fazer. Inicialmente, o tucano sequer participou da primeira reunião da comissão, e anteontem, ao ser questionado por jornalistas sobre o andamento dos trabalhos do grupo, resolveu atacar a Imprensa, demonstrando ignorância sobre sua própria função e sobre o trabalho dos jornalistas.
Segundo o vereador, a Imprensa, antes de apurar direito, "mete o cacete" (sic). A declaração infeliz conseguiu ficar ainda pior quando o mesmo afirmou que "os jornalistas devem cuidar mais da sua obrigação, ao invés de cuidar da vida dos vereadores" (sic).
Passa a ser de interesse da Imprensa, sim, a vida do vereador que tem remédios com etiquetas da prefeitura dentro do seu gabinete, que utiliza até mesmo o almoxarifado da Câmara para armazenar os medicamentos e que é investigado por suposto favorecimento de empresas em licitação. E não se trata de denúncia vazia. Foi a Polícia Militar quem apreendeu os produtos e é o Ministério Público quem investiga o caso das concorrências. Contra fatos não há argumentos.
O Dat apurou devidamente todas as informações e não "mete o cacete" em vereador, conforme o linguajar chulo utilizado por Carlão da Limpeza. Apenas relata o que é de interesse da população, que elegeu seus representantes e precisa ter conhecimento do trabalho daqueles que ganharam seu voto.
A vida do vereador, que recebe mensalmente dinheiro público, não só pode como deve ser cuidada e fiscalizada, em especial numa Câmara onde a maioria demonstra inércia diante de uma situação que é bastante grave e merece ser apurada com isenção e competência.
A abertura de uma Comissão de Investigação, sugerida pela vereadora Gerice Lione (PR), poderia ser uma forma de melhorar um pouco a imagem do Legislativo, que se deixa manchar ainda mais com declarações descabidas como as feitas anteontem pelo presidente da Comissão de Ética.