Se vocês estão lendo isso agora é porque, mais uma vez, a profecia do meteoro que vai destruir nosso planeta "foi por terra", e aqui é somente uma expressão mesmo utilizada quando a coisa não acontece como previsto.
Já tivemos tantas premonições de Fim do Mundo que, particularmente, nem me abalo. O meu término está traçado desde que vim para cá, então, uma hora, inevitavelmente, vai acontecer, assim como para todos, não é mesmo?
Penso que se ficarmos planejando nossa vida pensando nessa data não faremos nada que dê resultados significativos na trajetória.
Vai que leve ainda mais uns cem anos para meu fim acontecer? Tá bom, é um tantinho utópico, já que já estou na metade disso aí, mas se estiver com saúde, disposição, alegria, por que não?
Se analisarmos direitinho, o final da humanidade é todo dia em que paramos de sonhar, de planejar o futuro, é de acreditar mesmo não sabendo o que acontecerá daqui a um segundo.
É de ter a esperança de que tudo vai melhorar, ver o copo meio cheio, sabe? Se vocês estão lendo isso hoje, é porque mais um trenzão lotado eu peguei para vir ao trabalho e à caça de histórias novas estarei, mesmo com o esmagamento coletivo de cada dia.
É torcer para que o final diário de nossas vidas não seja recheado de preconceitos bestas que ainda nos assolam, matando pessoas que apenas querem amar e ser felizes.
É acreditar que um dia, breve, não tenhamos xingamentos atrás de um computador, ofendendo e minando tantas pessoas, fadadas a períodos de depressão e sofrimento, por encontrarem em seu caminho pessoas que, para mim, já estão mortas, em seus sentimentos pequenos agredindo aquele que deveria ser seu irmão.
O meteoro podia cair e exterminar tudo aquilo que nos faz chorar, arrancando de cada um sua nobreza falsa, seu sorriso amarelo, sua palavra que fere.
O tempo é agora. É para isso que estamos aqui: trazer o fim do mundo para dentro de nós, onde o mundo, nessa metáfora, é a indisponibilidade de cada um em querer ser uma pessoa melhor ainda neste nosso planeta.