Quiseram os fados do destino que o Brasil experimentasse mais um golpe, no frágil momento político pelo qual passa. O ministro Teori Zavascki, mais uma vítima da exuberante, mas perigosa Paraty - se forem considerados os acidentes aéreos que tem povoado suas cercanias -, com sua morte permitiu todo o tipo de especulações.
A começar pelo acidente em si, que levou os partidários de fabulosas "teorias de conspirações" a verem tramas malditas e mãos assassinas no evento, até a "certeza" de que a Lava Jato estaria em franco perigo, tudo foi lançado num repente nas diferentes mídias.
Sobre a queda da aeronave, por absoluta falta de conhecimento, não teço qualquer comentário. A realidade, no entanto, -
e o dizem os informes colhidos dos peritos - é que por motivo técnico ou humano, daqueles que não passam por interferência externa, o lamentável fato ocorreu.
No que diz respeito à operação, que se prolonga por tempo incontável, as instituições brasileiras contam com o aparato necessário para que ela não sofra risco. Por mais que não se trate da Corte dos sonhos, o Supremo ainda tem juízes com o caráter necessário para não se dobrarem às súplicas dos corruptos - estes sim eufóricos com o acidente, que lhes dá sobrevida -, e mais que isso, sensíveis aos reclamos populares que apostam no Judiciário suas últimas fichas, que sonham com a redenção de uma nação enxovalhada, tornando-se a decência seu lema maior.
Ao que parece, ao menos ele o diz no momento, o presidente da República, político que é, apontará novo componente para o Tribunal tão somente após a nomeação interna de novo relator. Com toda a cautela que merecem as palavras, eis que aquilo que Temer diz num instante, sob pressão, muda em outro, tomara que assim se dê, e que não se manche com a vil politicalha, não só em homenagem ao julgador falecido, mas a toda uma sociedade que aguarda ansiosa, o desenrolar das investigações e processos.