O cordeiro bebia tranquilo da água transparente do riacho que caía do alto da rocha, quando de lá ouviu o rosnar de um lobo esfaimado: "Por que você está sujando a água que eu estou bebendo?" "Senhor lobo, como posso sujar a água lá de cima, quando estou a beber aqui embaixo?". Num debate de acusação e defesa sempre vence o mais forte. E o lobo, saltando sobre o indefeso cordeiro, o devorou.
Na memória se podia ver, ainda com horror, os corpos de cadáveres decapitados, desmembrados e incinerados nas celas e corredores da penitenciária de Manaus. Um entrevistado da empresa terceirizada que cuida daquele presídio, despido de qualquer sentimento, disse essa frase infeliz: "Quanto mais preso melhor, temos mais lucro".
Superlotação com perda pessoal de espaço gera violência O lucro desumaniza o homem que fecha os olhos para a necessidade do seu semelhante.
Sabemos que não é justo, mas nos calamos. Poucos têm a coragem de falar a verdade, porque mais emocionante é ouvir a mentira.
Enganamos e somos enganados, caluniamos e somos caluniados.
Hoje, o grande negócio é estacionamento: você paga o espaço delimitado por um período, se usa menos tempo, outro entra naquele local que já está pago e paga novamente; se você ultrapassa o horário por 3 ou 5 minutos, tolerância quase zero, tem que pagar novamente por todo o período seguinte que não vai usar, porque já está saindo, e se outro ali entrar haverá nova cobrança. Não é justo! Se você reclama, alguém nervoso já diz: "É o sistema!".
Se você precisa retirar o carro, para realizar outro compromisso um pouco longe, seria justo ter o direito de voltar e ocupar o espaço já pago até o final da hora marcada, e não cobrar como nova entrada.
Que tal reprogramar o sistema com novas ideias? Por exemplo: pagar 10 centavos por minuto usado, 60 minutos dariam 6 reais. Alguns deixariam de lucrar mais, mas todos haveriam de lucrar, tendo as mãos dadas em prol do bem comum.
É justo, "seu lobo", a "ovelhinha" beber também da água fresquinha do riacho.