Talvez o período de crise em que vivemos não seja o ideal para falar sobre competição entre marcas, mas chama a atenção como vem mudando a maneira de cada empresa tratar seu público consumidor. Claro que é natural que o modo de se fazer marketing sofra alterações ao longo dos anos, afinal, ele é e sempre será um reflexo dos costumes da sociedade.
Antigamente, a empresa tinha um determinado público em vista, procurava por ele e então apresentava as vantagens de seu produto ou serviço e efetuava a venda. Mas, com a era digital, tivemos o surgimento de muitas marcas e de grandes estratégias de marketing. As pessoas foram bombardeadas por campanhas e propagandas. Com isso, só demonstrar vantagens de um produto já não é mais eficiente para vender.
Até há alguns anos, se alguém quisesse comprar um produto precisava se deslocar até uma loja, pedir ao vendedor para mostrar os modelos disponíveis, para só então decidir-se pela compra. Hoje, o vendedor não é mais determinante no processo de venda, pois as pessoas buscam informações sobre determinado produto na Internet. Quando decidem, já sabem o modelo e a faixa de preço.
Com toda essa mudança em pouco tempo, o que percebemos hoje é que a competição não é mais necessariamente entre produtos, mas entre modelos de negócio. Tanto que é difícil as empresas separarem, mesmo dentro de cada segmento específico, quem é o concorrente direto e o indireto. Fast food compete com slow food, educação presencial com a virtual, megastores com compras online, TV paga com streaming, e assim por diante.
O público jovem, por exemplo, parece estar mais preocupado com a imagem que a marca passa do que com o que ela realmente oferece. Hoje, uma empresa que perde espaço no mercado não precisa necessariamente gastar milhões em publicidade. Pelo contrário, ela tem a opção de se distanciar cada vez mais do público em geral e buscar a captação de públicos alternativos específicos, como roqueiros, idosos, skatistas, poetas, "comunistas", etc. Ou seja, as marcas que passaram a se sentir "desprezadas", hoje podem seguir caminhos alternativos. Inclusive, uma das melhores estratégias de marketing passou a ser o "boca-boca virtual", afinal, nada como ter a indicação de um conhecido para comprar determinado produto.
Isso tudo é benéfico para as empresas. O que não beneficia ninguém no momento é mesmo a falta de dinheiro para participar dessa "brincadeira".