O fim de semana foi de manifestações pelo País, principalmente de comoção em torno da tragédia com o time da Chapecoense, e a morte de jogadores, técnico, dirigentes, profissionais da Imprensa e profissionais da companhia aérea. No sábado, o destaque foi a emoção provocada pelo velório coletivo na Arena Condá, com especial homenagem aos colombianos pela sensibilidade e o carinho demonstrados diante da tragédia.
Um momento de profundo pesar para a história do esporte mundial e da Imprensa brasileira. Porém, palco também de excessos como a jornalista da Globo que fez imagens com um celular na área reservada para familiares e amigos no estádio.
Já, no domingo, um surpreendente ato na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, uniu as torcidas organizadas de maior rivalidade do Estado - a Gaviões da Fiel, do Corinthians, a Mancha Verde, do Palmeiras, Independente, do São Paulo, e a Torcida Jovem, do Santos - em apoio ao time de Chapecó. A esperança é que a solidariedade e o respeito expressos neste gesto se repitam nas arquibancadas nos próximos campeonatos, que estes locais sagrados do futebol deixem de ser palco de brigas, e até de mortes.
A tragédia também foi lembrada durante os protestos contra as mudanças no pacote de medidas anticorrupção e em apoio à Operação Lava Jato, que levaram milhares de pessoas à ruas em todo o País, também no domingo, inclusive cerca de mil pessoas participaram em Mogi. Na avenida Paulista, em São Paulo, houve um minuto de silêncio em homenagem às vitimas, além da presença de pessoas vestidas com a camiseta do time.
Por toda a parte, a comoção é grande, não há como ficar indiferente à tragédia, às mais de 70 vidas interrompidas. O Nacional de Medellín, depois da bela homenagem no dia em que seria o jogo contra Chapecoense, afirmou que se ganhar o título Mundial de Clubes da Fifa, na disputa com o Real Madrid, no Japão, pretende dedicá-lo à Chapecoense.
Esta tragédia provoca, assim, perplexidade, indignação e tristeza por tantas vidas perdidas devido a problemas provocados pela falta de combustível no avião da LaMia e, por outro lado, é surpreendente a corrente de solidariedade despertada em todo o mundo. Ações como a união das torcidas paulistas nos fazem crer que toda a violência e a corrupção que testemunhamos a cada dia, se tornando, infelizmente, em algo tão banal e comum, pode dar lugar a grandes gestos, a superação de diferenças, aumentando a esperança em dias melhores, de maior compaixão e respeito pelo próximo.