Que a tragédia com os jogadores da Chapecoense comoveu toda a nação, e provocou igual sentimento além-fronteira, tornou-se por demais sabido. Desde o primeiro instante do fatídico acontecimento, como soe acontecer em desastres de tais dimensões, o noticiário se empenhou em detalhar os acontecimentos fazendo com que a perplexidade pairasse sobre todos.
Havia motivos para tanto! Afinal, além da perda de tantas vidas de patrícios; do luto cerrado que cercaria lares, onde a ausência do ente amado provocaria dor imensurável; e do falecimento de pessoas, que as imagens dos televisores permitem que adentrem nossos domínios, passeiem pelos nossos quartos, gozem de nossa intimidade, tornando-se membros anônimos do dia a dia; o contraste da passagem súbita da alegria à infinita tristeza fazia com que a dor doesse ainda mais!
Os que acompanham o futebol, dias antes assistiram entusiasmados a um bando de garotos efusivos demonstrarem o sabor da vitória! Em época em que o capital se impõe, acabando com as glórias do esporte que nos distinguia, foi revigorante notar que alguns, como numa volta ao romantismo do passado, honravam, acima de tudo, o uniforme que vestiam; que jogadores, poucos é verdade, empenhados em brindar torcida que os apoiavam incondicionalmente, se doavam, buscando forças, não sei onde, para responderem às demonstrações de carinho!
Por isso, como nos contos de fadas - eis que, para os humildes de Santa Catarina, o momento era mágico - não havia quem não sonhasse com um final feliz. Voltariam de terras colombianas, encaminhados para o título que os consagrariam! Nem o mais pessimista pensou que nuvem negra poderia recobrir o sol! Nem o mais fatalista ousou vaticinar sobre as tramas tecidas pelo destino!
Nas sobras, porém, se fazia a urdidura! Distantes de casa, no frio das montanhas, tão próximos, e tão distantes do aeródromo, apagaram-se as luzes que tanto nos inspiraram!
Esvaneceu-se num átimo, a esperança de outro momento de alegria com que seríamos brindados! Saudades!