Um dia para marcar a valorização daqueles que por muitos anos viveram marginalizados, e hoje, conquistam cada vez mais oportunidades e o espaço devido na sociedade. O Dia da Consciência Negra, celebrado no último domingo, com diversos eventos que se estendem ao longo dos próximos dias na região, como a quarta edição do Festival de Culturas Negras, homenageia Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, refúgio dos escravos.
A comemoração da data se justifica diante de dados que mostram que a luta pela igualdade de direitos e oportunidades ainda está longe do fim. A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) revela que os negros ainda têm desvantagens na disputa por vagas no mercado de trabalho, com ganhos menores e uma taxa de desemprego de 15%, superior à média geral da população.
O racismo também continua presente no dia a dia, muitas vezes de forma indireta, ou em manifestações descontroladas, como os xingamentos constantes nas redes sociais, ou os gritos de "macaco" em competições esportivas, para agredir jogadores negros.
Em recente entrevista ao portal UOL, Juarez Xavier, jornalista e professor universitário, que já lecionou na Universidade Braz Cubas (UBC), afirmou que "a pessoa não se sente confortável para expressar seu racismo. É velado. A pessoa não enuncia o desconforto em estar em frente a um negro, mas o olhar, o comportamento e o gesto denunciam". E situações assim são perceptíveis em muitos casos. No ano passado, ele próprio foi vítima de racismo na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru, onde ensina atualmente.
Embora este cenário venha mudando com a conscientização dos negros e diferentes ações que estimulam o empoderamento, o caminho é longo. É preciso reconhecer as diferenças, valorizando e prestigiando as diferentes vertentes da cultura afro-brasileira, afinal são raízes do País que se orgulha em ser multicultural.
Nas mídias também o espaço é reduzido, embora estejam se tornando protagonistas, como é o caso do casal Taís Araújo e Lázaro Ramos, que hoje estrela sua própria série na Globo, "Mister Brau", com terceira temporada confirmada para o ano que vem. Ainda é difícil para um negro se reconhecer entre aqueles que ganham destaque, especialmente nas propagandas. Trata-se de um caminho árduo, que passa por uma mudança cultural importante, porém, o que não justifica homenagens questionáveis como a realizada em Mogi, na semana passada, para um político da região.