O tempo passa, comportamentos mudam, a tecnologia evolui e transforma as transações financeiras, mas alguns costumes resistem.
Ainda encontramos estabelecimentos de micro e pequeno porte e vendedores porta a porta que fazem uso da velha prática de vender fiado, ou seja, o consumidor fica com o produto e em troca deixa a promessa de quitar a dívida depois.
Com faturamento em baixa por conta da crise econômica, é compreensível que o empreendedor se apegue ainda mais a essa estratégia. Ele está ciente da possibilidade de tomar calote, porém contra-argumenta que o crédito só é concedido para quem é conhecido e confiável, reduzindo o risco. No entanto, outro problema vem a reboque: o lojista não tem nenhum controle de quando receberá, já que depende exclusivamente da boa vontade do cliente voltar, incerteza prejudicial ao fluxo de caixa.
São minoria, mas nos deparamos com estabelecimentos comerciais que não usam máquina de cartão. Fica claro que a primeira medida é oferecer essa opção para o consumidor fazer o pagamento no débito ou crédito, à vista ou parcelado, e, dessa forma, não perder a venda caso o cliente esteja sem dinheiro vivo no bolso naquele momento.
Também é interessante colocar à disposição boletos ou serviços digitais. Aceitar cheque, apesar da queda no uso, deve ser considerado. Os serviços de proteção ao crédito estão aí para serem consultados e dar maior segurança.
Em termos de marketing, uma boa pedida é conceder vantagens para quem pagar à vista, como brindes ou descontos em compra futura. Se a natureza do produto permitir, por que não oferecer porções menores com preços mais baixos e facilitar a concretização do negócio?
Vender fiado é não ter garantias, já que não há um documento legal capaz de comprovar que houve a operação comercial. Se o consumidor não cumprir sua parte no acordo, é prejuízo na certa. É apostar para ver.
Como promessa não paga conta, muitos empreendedores não querem nem pensar na possibilidade; para eles vale a máxima: "fiado só amanhã".