Não é fácil lidar com pessoas ansiosas, principalmente, quando você é uma delas. Para quem não sofre disso, é difícil entender que precisamos ter determinadas coisas bem planejadas.
Sofro quando tenho algo a fazer e não sei exatamente como me organizar, na verdade, quando dependo de terceiros para esse planejamento. Me dá uma sensação de segurança saber que daqui a um mês ou até mais terei um compromisso e já está tudo perfeitamente definido: como irei, com quem irei, horário para saída, talvez até horário para volta. 
Se não é assim, falta uma peça que insiste a ficar me rodeando para ser "apertada", "encaixada". Obviamente, queria sofrer menos desse mal, mas depois de 44 anos, não sei se algo mudará.
Para citar um exemplo dessa ansiedade crônica: precisarei fazer uma intervenção cirúrgica em dezembro, sendo que já recebi a data certa para ela acontecer. Nada grave, graças a Deus.
Quando soube, há menos de um mês, lógico que a primeira pergunta ao médico foi: "quando será, pode ser logo?".
Rapidamente, ele tentou baixar o meu desespero e para minha angústia ainda pediu exames para depois agendar. Tentei por todos os caminhos antecipá-los, assim como o cardiologista com quem teria que passar e, com certeza, deixei todos ao meu redor doidinhos.
Com ainda mais de um mês para a cirurgia acontecer, já planejei como ir, como será, onde ficará meu filho; se bobear, até a roupa que vou já está nos meus planos.
Confesso que dou risada depois ao lembrar o quanto minha vida é organizada em calendários, no que se refere a compromissos. Se me perguntarem o que farei em fevereiro de 2017, já tenho lá num sábado qualquer, um churrasco que ainda nem é certo acontecer, mas que assim que foi cogitado foi registrado.
E assim vou tocando os dias, com datas, horários e tudo mais. Pelo menos nesse quesito sou organizada. Tá bom, tá bom, um tantinho organizada demais! Mas tenho certeza que há muitos como eu espalhados por aí e vão compartilhar desse detalhezinho de personalidade, não é mesmo?