Na semana que passou os órgãos da Justiça Federal, deixaram de prestar inestimável serviço público, da segunda à quarta-feira.
Funcionando no dia consagrado ao funcionário público, usaram de expediente comum à sociedade brasileira, e prolongaram o feriado de Finados.
Legal o acontecido, eis que, valendo-se de arcaica e famigerada norma federal - artigo 62 da Lei Federal 5.010,de 1966 - cumpriram o por ela determinado.
No entanto, aí o dilema de sempre: será sempre ético o que é tido como legal? No caso, absolutamente não!
Veja-se, que se fala de Poder - em todas as suas esferas moroso por excelência -, a quem não se pode conferir o luxo de, neste país de feriados às mancheias, estabelecer outro, individual!
Veja-se que se está a considerar serviço essencial, não se admitindo que, o jurisdicionado - com justa razão, indignado com a inoperância do Judiciário -, tenha procrastinada, sem motivo plausível, sua expectativa de resolução de pendência que se arrasta nos escaninhos burocráticos.
Veja-se, enfim, que privilégios desse jaez é o que de mais antiquado e rançoso existe na República que se pretende reformar, se dar ares de digna e escorreita!
Embora o afirmado peço ajuda, no entanto, para, outra vez, entender aquilo que passa ao largo de minha mínima inteligência.
Assumindo recentemente a chefia do Poder Judiciário nacional, a senhora Cármen Lúcia, bradou, em alto e bom tom, que sua presidência seria austera e voltada a combater veementemente os excessos.
Não só concorda, no entanto, com o benefício do "auxílio moradia - mesmo que o juiz tenha casa própria na comarca -, com o "auxílio paletó", com outros penduricalhos que se concede à magistratura, com absurdas suspensões de atividades como as denunciadas, como, tudo isso, aplica em seu favor!
Já o "intocável", Sérgio Moro, useiro em alertar a nação sobre a corrupção que a assola, contenta-se, também, em usufruir das antiéticas mordomias!
Parece que no País, pequenos desmandos, principalmente daqueles que detém o poder, são tolerados e justificados. É isso?