Depois de tanto tempo lendo, e nas entrelinhas tirando minhas conclusões sobre a vida sócio-política brasileira, confesso que preciso da ajuda de alguém para poder entendê-la.
Vou à mídia, e ali encontro, por exemplo, em caixa-alta, que o senhor José Serra, para suas aventuras políticas, teria, no exterior, recebido ajuda ilegal de mais de
R$ 20.000.000,00.
Dia seguinte, recorro às mesmas fontes na busca de repercussão, e para o meu espanto, extraio que, Ministro das Relações Exteriores, o eventual corrupto estaria em missão especial representando o Presidente da República, e que, em sua volta, privaria das glamorosas companhias do Presidente de Portugal e do recém-eleito Secretário Geral da ONU!
Estupefato, ao notar que ao invés do desprezo com que se tem recebido o político acusado no Brasil atual se lhe dava lugar de destaque, ainda mais me intrigou outra manchete.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), criado pela Emenda Constitucional nº 45 com a função específica de controlar externamente o Poder Judiciário, tem entre os seus integrantes dois cidadãos com notório saber jurídico, um indicado pela Câmara dos Deputados, e outro pelo Senado Federal.
Usando de comum subterfúgio, o que tem se visto, é a troca do conhecimento de leis - que deveria ser vasto -, pela sabujice, esta sim notável.
E, por incrível que pareça, na mudança de membros que está por acontecer, os indicados com mais chance aliam-se umbilicalmente ao defenestrado Cunha, ou ao abjeto Renan.
Em outras palavras, o ex-deputado, denunciado e preso, e o tantas vezes indiciado presidente do Senado, conservam o poder de fiscalizar os magistrados que virão julgá-los (embora no que diga respeito ao segundo, com foro privilegiado, os Ministros do Supremo, em mais uma benesse desta santa "república de bananas", pairam soberanos em seus desmandos sem se submeterem à fiscalização).
Expliquem-me, por favor: a mudança não veio para evitar fanfarronices como as apontadas. Ou o "mordomo", é simples politiqueiro a quem tanto faz ou tanto fez?