"Nem só de pão vive o homem". Há mais de 2 mil anos foi proferida esta frase, com muita sabedoria, por alguém que possuía conhecimento suficiente para compreender as necessidades básicas do ser humano.
Podemos mesmo afirmar que, depois da fome fisiológica, a maior fome que assola a humanidade é a fome de amor, que deixa um vazio na alma. E, ao tentar tamponar essa falta, vemos muitas pessoas fazendo de tudo para aplacar algo que sequer consegue ser nomeado, como, por exemplo, comer compulsivamente, comprar coisas e objetos desnecessários para assim obter um prazer temporário e imediato.
Talvez não tenhamos ainda nos dado conta de que é em busca dele, o amor, que todos nós estamos. Seja na busca pelo amor romântico, pelo amor maternal, parental ou mesmo quando necessitamos da aprovação de uma amizade. 
No entanto, é o amor materno o termômetro para todas as outras formas de amor e relacionamentos futuros. Trata-se de um amor que alimenta, espelha, estrutura a psique. Por intermédio dessa relação amorosa e do quanto posso ser reconhecido e confirmado, desenvolvo a minha autoestima, crescendo forte e equilibrado emocionalmente.
A forma que nos relacionamos amorosamente está para sempre ligada à esse amor inicial, que conhecemos ao abrir pela primeira vez os olhos para a vida, ao quanto fomos amados e desejados desde o início pelas nossas próprias mães.
No inconsciente coletivo, temos duas polaridades: a mãe perfeita, arquétipo da "Mãe Maior", aquela que foi o maior exemplo de mãe do mundo, de abnegação, renúncia, entrega; e a mãe má, o arquétipo da bruxa e da madrasta tão contada nos mitos e contos de fadas, representando o papel de mães abandonadoras, que competem com os filhos, que os humilham e diminuem.
Em terapia, ao refletirmos sobre o papel materno e aceitarmos que nossos filhos são seres únicos, com seus próprios desejos e anseios, teremos a dimensão do quanto podemos ser cruéis quando queremos que eles sejam os portadores dos nossos sonhos não realizados e da nossa vida não vivida, e o quanto o olhar e cuidados maternos podem curar ou ferir aquele ser humano, cuja vida apenas se inicia.