Na mesma semana em que se teve a notícia de que Suzano voltaria a contar com uma maternidade em hospital privado, surge a informação de que a Santa Casa da Misericórdia do município suspendeu a realização de partos por falta de profissionais.
As implicações vão além dos limites da cidade e atingem, inevitavelmente, outros locais que, por terem mais estrutura, acabam dando atendimento, principalmente em se tratando de gestantes. E um dos impactos ocorreu justamente em Mogi das Cruzes, a maior cidade da região e a que dispõe da melhor estrutura em saúde pública.
A Santa Casa foi a que mais sentiu os reflexos de imediato. O médico e vereador Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho (PSB), o Chico Bezerra, que conhece a realidade local, já considera que há superlotação. Exemplo disso é que só ontem quatro mulheres grávidas de Suzano procuraram atendimento no local.
O retrato da deprimente situação do caos na saúde pública foi o que o jornal constatou ontem na Santa Casa de Suzano. Andressa Leidiane Aparecida Marques, de 26 anos, com 41 semanas de gestação, foi encaminhada por um posto de saúde para a unidade, depois de não ter conseguido internação na Santa Casa de Mogi no dia anterior por causa da falta de vagas. Em poucos minutos na recepção do hospital suzanense, ela foi informada de que não havia ginecologista e obstetra e não poderia ser atendida. Ao sair da unidade, ligou do próprio celular ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para que a levassem para outro lugar.
A que ponto se chega! Ligar para o Samu para ser socorrida em frente a um hospital! Sabendo da presença da Imprensa naquele momento, a Santa Casa chamou a gestante para dar entrada e iniciar os trâmites para transferência para outra unidade na capital, procedimento este que deveria ter sido adotado desde o início. E mesmo no Hospital Santa Marcelina do Itaim o atendimento foi negado porque ela "ainda" estava de 40 semanas, e não de 41 semanas e três dias, que é o período obrigatório para internação! No fim das contas teve que voltar para a casa, sem a certeza do que vai acontecer.
É impossível não se indignar diante de tamanho descaso. O que fica é a sensação da desigualdade e da injustiça social. Quem não tem a sorte de possuir um plano de saúde para ser atendido num hospital particular é obrigado a ficar à mercê da própria sorte e da irresponsabilidade do Poder Público. Até quando?