Consta na Constituição Federal que toda pessoa com alguma necessidade específica deve ter as mesmas oportunidades e alcançar a sua independência social e econômica para integrar-se plenamente à sociedade. Porém, quando o assunto é turismo, percebe-se que os deficientes físicos ainda não têm a atenção necessária e ficam impossibilitados de conhecer muitos lugares do Brasil e do mundo. Estamos em época de promoção à Paralimpíada que acontece no Rio de Janeiro, mas será que a cidade-sede do evento, assim como a maioria das cidades do País, está preparada para receber os deficientes com conforto? Sabemos que as arenas apresentam boas acomodações, mas o Rio de Janeiro não se limita à Vila Olímpica e às arenas. Esta não é uma crítica direta ao Rio de Janeiro, mas à todas as cidades que deixam de lado o aspecto acessibilidade.
Existem algumas agências de turismo adaptado, com foco nas pessoas com deficiência, mas este é um mercado ainda pouco explorado e que apresenta demanda para crescimento. As empresas "atacam" onde há possibilidade de lucro e, neste caso, se os governos estaduais apresentarem boas condições para receber deficientes em suas cidades, este mercado poderá apresentar um crescimento considerável, alavancando o setor e satisfazendo o público-alvo. Enfim, todos saem ganhando. O Brasil tem 45,6 milhões de pessoas que declaram ter algum tipo de deficiência física ou mental, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
As instituições que já pensam no turismo inclusivo planejam roteiros personalizados e precisam levar em consideração as dificuldades de cada cliente. Não adianta saber apenas que uma pessoa é cadeirante, mas, sim, planejar todos os aspectos ao redor do ambiente onde o hóspede ficará instalado. A pessoa com qualquer limitação costuma estudar bem o local de destino antes de viajar.
É preciso entender também que não basta pensar em acessibilidade nos locais turísticos e mais movimentados. Um exemplo: para os cadeirantes empreendedores não é válido conhecer apenas os locais mais badalados e conhecidos de uma cidade, sendo fundamental ter uma visão mais ampla do terreno, e conhecer as pessoas, as histórias e o comércio local. E para isso é preciso alternativas que desenvolvam a acessibilidade.
O turismo é uma atividade associada ao descanso, à diversão, ao esporte e ao acesso à cultura e à natureza, e deveria se praticar como um meio privilegiado de desenvolvimento individual e coletivo por todos.