Esta não foi uma boa semana nos trilhos, principalmente na Linha 11, a que pego todo santo dia. Um dos atrasos foi mais de uma hora no escritório onde trabalho. Já entro com aquele ar cansado, amarrotada, com cara de quem em tão pouco tempo já passou por "n" perrengues. 
Nesse dia, a parada foi por conta de um atendimento a um usuário que ficou com as mãos presas no vão de uma das portas do trem. É muito provável que a reação de quem está lendo isso, depois do "aiiii", foi já culpar a pessoa por ter entrado no trem com as portas fechando, daquele jeito que tanto estamos acostumados a ver, no estilo coração de mãe, sempre cabendo mais um, né? Mas será que a culpa foi dele mesmo?
Será tão simples assim apontarmos o dedo para a vítima que já está sofrendo e colocarmos mais dor na situação? Infelizmente, todos nós temos essa tendência, afinal de contas, porque ele não esperou cinco minutinhos apenas para entrar em outro vagão?
Difícil admitir isso, mas será que não dá para pensarmos que se tivéssemos um transporte ágil, de qualidade, onde as pessoas não precisassem se matar para terem o seu direito de ir e vir garantido, sem sermos humilhados diariamente, isso seria muito diferente.
Culpamos a pessoa acelerada no embarque gritando logo: "sai de casa mais cedo!", mas eu mesma tantas vezes saí de casa meia-hora ou até mais e cheguei até mais tarde no meu lugar de destino, justamente por conta dos atrasos e lentidões intermináveis no trecho, chegando a conclusão que de nada adiantou tamanha providência.
Culpamos o tiozinho que para na porta, mas naquele aperto todo, se ele precisar descer na próxima estação e não fizer isso, não conseguirá porque o abarrotamento é surreal.
É dolorido fisicamente horário de pico nessa linha. Você sai todo esfarelado, como aquela última bolacha esquecida no pacote. E ainda tem que ouvir, como esse usuário com as mãos estranguladas, que a culpa de todo atraso do trecho foi única e exclusivamente dele.
Pensemos mais amplo, meus amigos. Muitas vezes é necessário.