O Senado aprovou por 59 votos a 21 o recebimento da denúncia contra a presidente afastada Dilma Rousseff. Seu impedimento é certo, não há nenhuma chance de reverter um quadro político já desenhado por ela própria e seu governo dois anos atrás.
A tese de golpe não colou, nem aqui nem lá fora. A Olimpíada contribuiu para apagar uma imagem ruim do Brasil no exterior. A festa de abertura demonstrou que o País pode sim ser organizado e fazer as coisas como devem ser feitas.
O clima amistoso e a receptividade da torcida brasileira, criou um clima muito positivo para as delegações estrangeiras. Um bom exemplo disso é a torcida brasileira por Michael Phelps. Não importa se ele é norte-americano; importa que ele é o melhor e a torcida reconhece e valoriza isso. Não só com ele, mas em todas as modalidades.
É a meritocracia implícita na torcida brasileira. É o que se espera do governo eficiência e só, não importa o partido, importa o resultado. Michel Temer se encolheu na festa de abertura e ainda assim foi vaiado, certamente por aqueles que querem Dilma de volta.
Ninguém precisa gostar de Temer ou do PMDB. O que precisamos é de eficiência na gestão pública, precisamos separar os sentimentos dos resultados. Dilma pode continuar seu martírio e entrar para história como a primeira presidente mulher a ser impedida ou então renunciar ao mandato. Não seria covardia, mas lucidez. Sua renúncia poderia torná-la vítima e fomentar em seus eleitores e, principalmente, nos eleitores do Partido dos Trabalhadores, a sensação de que seu mandato foi tolhido de forma injusta, criando na militância um sentimento de retomada, de volta por cima.
A tática de espernear e resistir, adotada pela presidente e pelos senadores aliados do PT, PC do B, Rede e PSOL, apenas agrava a situação do ponto de vista político.
Se o impeachment está consumado a renúncia será um fato novo, que pode se converter em capital político a ser gasto já nas eleições de 2016. Melhor sair como vítima do que ficar e ser condenada.