Em um dos fatos sociais mais marcantes dos tempos atuais, o Papa Francisco, visitou o local em que funcionou o tristemente conhecido campo de concentração de Auschwitz.
Seu vagar, silencioso e calmo pelos caminhos onde outrora desfilaram grei de prisioneiros fez com que viessem à tona as lembranças, por vezes escondidas, das agruras dos subjugados, do extermínio absurdo dos que tinham por culpa exclusiva a descendência étnica.
Seu ato de constrição emocionou. Seu lamento final, assinado em livro de visitas, onde pede que o Pai Supremo perdoe tanta crueldade, mais uma vez identifica o "homem como o lobo do próprio homem", e dá a exata dimensão da irracionalidade que, assinala a história, não tem sido rara à nossa espécie. (Se dúvidas ainda existirem, considerem-se as "guerras santas", as execuções sumárias, os atentados gratuitos, provocados por grupos terroristas em pleno século XXI).
Demonstrou, por fim, o Santo Padre, com a sensibilidade do justo, que o destaca, que ante os olhos do Pai todos somos iguais nada valendo os credos ou ideologias políticas. Judeus, alemães, árabes, franceses, etc. fazem parte de um todo que ele elegeu como filhos e que não merecem as distinções por nós criadas e tão custosas à raça humana.
Pois bem, dada a grandiosidade do ato era de se esperar merecesse ele manchetes da mídia escrita em sua exata dimensão.
Jornal de grande penetração, no entanto, sequer o enunciou em primeira pagina. Preocupado com a indigna competição olímpica que está para se iniciar em país em que tudo falta; realçando, novamente, os desdobramentos da latente corrupção instalada em solo nacional; relegou para página interna reportagem sobre ele.
Quem sabe, dando azo ao materialismo de agora, e, por conseguinte, preocupado com a vendagem, o "Estadão" concluiu que a geração atual, mercê de ensino pífio, desinformada, prefira amenidades.
Deplorável, e digna de críticas, a atitude do respeitado formador de opiniões!