A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro terá um orçamento menor que as festas que deram início às últimas edições dos jogos. Sem divulgar o orçamento, os diretores e produtores da cerimônia informaram ontem que o espetáculo vai apostar em projeções, criatividade e no "espírito da gambiarra" e que será lembrado como uma cerimônia cool (descolada).
"A gente teve muito menos do que qualquer uma das últimas cerimônias. Trabalhamos usando essa força a nossa favor. Temos uma coisa de alta tecnologia, que é a projeção. Para o resto, nos viramos nos 30, mas acho que vamos entregar", afirmou o diretor Criativo, Andrucha Waddington, que contou ter recorrido ao centro de comércio popular do Rio.
A também diretora Criativa Daniela Thomas explicou que o Estádio do Maracanã impôs algumas dificuldades à cerimônia, como ter portões de entrada de apenas dois metros, cadeiras próximas ao campo e menos espaço para o "palco", por não ter uma pista olímpica.
"Tínhamos um orçamento muito abaixo da expectativa em relação a um espetáculo dessa natureza, mas acho que estamos acostumados com esse tipo de questão. O espírito da gambiarra é importante aqui no Brasil", acrescentou Daniela. "Não é um 'coitados de nós'. Gambiarra rocks, gambiarra é maravilha".
Para superar essas dificuldades, Daniela disse que os criadores buscaram um "repertório analógico", consultando, inclusive, técnicas usadas em festas da Grécia e Roma clássicas.
"Não tinham tecnologia, mas não deixavam de encantar", destacou Daniela. Ela afirmou que as atrações musicais se apresentarão sem receber cachê. Estão confirmados Caetano Veloso, Gilberto Gil, Anitta e Ludmilla.