Michel Temer ainda não completou um mês administrando a pior herança com que um governante se deparou nos últimos 50 anos. Havia balbúrdia generalizada nas contas públicas, uma economia destroçada pela recessão e a perspectiva de chegar ao final do ano com 14 milhões de desempregados.
Em três semanas já é possível identificar uma base parlamentar disposta a votar a agenda necessária para tirar o País da crise, a solução do desastre fiscal foi encaminhada e a volta da confiança dos parceiros privados no rumo a ser percorrido é perceptível.
Na quarta-feira as críticas atacaram o aumento de salários concedido a servidores públicos de quadros do Judiciário, carreiras do Executivo e que prestam serviço no Legislativo e no Ministério Público com impacto estimado no valor de R$ 58 bilhões em quatro anos. Ninguém afirma que os reajustes foram imerecidos, e sim que o sinal político foi ruim diante da perspectiva de um déficit fiscal de R$ 170 bilhões.
O Ministério do Planejamento esclareceu que os projetos foram resultado de negociações com oito meses de duração, terminaram na assinatura de 32 termos de acordo com as lideranças sindicais e que já haviam sido assegurados recursos necessários na Lei Orçamentária Anual de 2016.
Temer não tinha condições de continuar dando voltas e resolveu enfrentar o problema. Estava premido por um cenário político montado pela oposição em forma de armadilha, quando seus líderes tocaram o terror alardeando supostas ameaças de cortes a serem sofridos nos programas sociais, como o popularíssimo Bolsa Família. Temer desarmou a bomba desmentindo a contrainformação em tom determinante.
A diferença é que, apesar da conta alta, hoje a agenda legislativa anda, abrindo caminho para a virada na política e na economia - a meta fiscal expandida foi aprovada, eliminando uma fonte permanente de conflito com o Congresso; e a DRU (Desvinculação de Receitas da União) passou em votação em primeiro turno, ambas com apoio confortável, sem margem para especulações, sem manchetes sobre batidas de cabeça. No passado não havia política, só pauta-bomba.