Há pouco mais de 14 anos, a assistente administrativa da EDP, Marryette Bastos Correia, 39, recebeu, ainda na sala de parto, o diagnóstico de síndrome de Down de seu segundo filho, Lucas, condição que não havia sido identificada nos exames pré-natais.  

No primeiro ano de vida do bebê, ela pôde se dedicar integralmente aos cuidados do filho, amparada pelo marido Rafael Chaves, com quem está casada há 20 anos, e por um benefício da EDP que permite a todas as colaboradoras, após a licença-maternidade, atuarem em regime remoto até que a criança complete um ano. 

Ao retornar ao trabalho presencial, Marryette iniciou também um novo capítulo em sua vida: nascia a ONG Love Down, iniciativa que transformou sua vivência pessoal em uma rede de apoio para outras famílias. 

Hoje, a organização reúne cerca de 100 famílias de Mogi das Cruzes e região do Alto Tietê e atua como um espaço de acolhimento, troca de experiências e acesso a suporte especializado para pessoas com síndrome de Down e seus familiares. Por meio do grupo, são viabilizados atendimentos com profissionais de saúde, acesso a terapias com valores reduzidos, doações e ações de apoio social.

"Minha preocupação sempre foi cuidar de quem cuida. A maternidade, no nosso caso, traz aprendizados diários, mas também muitas demandas. E muitas mulheres acabam assumindo sozinhas grande parte dessa jornada. A ONG surgiu para que nenhuma delas precise passar por isso sem apoio", afirma Marryette.

Rotina que acolhe dentro e fora de casa

Lucas é o segundo de três filhos. O mais velho, Luiz Gustavo, tem 17 anos, e o caçula, Luan, tem dois. Marryette concilia o cuidado com os filhos com uma rotina na concessionária, onde trabalha há 12 anos. 

Após atuar diretamente com o público, hoje ela é responsável por demandas administrativas de um time de 67 profissionais, cuidando de rotinas como folha de ponto, férias, escalas e apoio às equipes. "É como uma segunda família. A maternidade me trouxe um olhar mais atento para as pessoas, para entender cada realidade e construir um ambiente mais acolhedor. Isso faz diferença no dia a dia", explica.