A "Era Dunga", novamente, acabou. Ela começou na Copa do Mundo de 1990, na Itália, quando a Seleção Brasileira foi eliminada nas oitavas de final, pela a Argentina, e o jogador Dunga ficou marcado negativamente. Já em 1994, na Copa do Mundo dos Estados Unidos, o técnico Carlos Alberto Parreira voltou a convocar Dunga. E o então volante deu a volta por cima, levantando a taça de tetracampeão.
Em 2010, Dunga voltou à Seleção, desta vez como treinador, e saiu derrotado nas quartas de final, pela Holanda. Mas, o aproveitamento de mais de 70% durante o tempo em que esteve no comando, e os títulos da Copa América e Copa das Confederações, fizeram com que o treinador saísse do cargo mais importante da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pela porta da frente. O fiasco da Copa de 2014, no Brasil, com Luiz Felipe Scolari no comando, fez com que os "dinossauros" da CBF convidassem Dunga para o cargo novamente. Tinha tudo para ser uma nova volta por cima, desta vez, não como jogador, mas como técnico. Tinha, não fosse a safra mediana de jogadores, que por vezes mostra até um certo desinteresse em vestir a camisa do Brasil. A eliminação na primeira fase da Copa América Centenário foi demais para Dunga, demitido nesta semana.
Agora, quem comandará a Seleção será Tite, ex-Corinthians. Ninguém contesta o merecimento do treinador em ser convidado para o cargo, mas a situação não é nada favorável. Ele corre o risco, inclusive, de ficar marcado como o único treinador a não conseguir levar o País a uma Copa do Mundo.
O fato é que o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha em 2014 e foi eliminado da Copa América Centenário porque os membros da CBF não são humildes o suficiente para perceber que não temos mais a melhor seleção do mundo. Caso contrário, teria jogado na retranca contra a Alemanha, e nos contra-ataques contra o Peru, quando foi eliminado.
Tite é oposto. Humilde e visionário, ele conquistou vários títulos pelo Corinthians, reconhecendo a falta de qualidade técnica e jogando na retranca quando precisou. Terá ele essa mesma liberdade como treinador do Brasil, de montar um time defensivo quando necessário, mesmo que contrarie a "escola brasileira de futebol"? Veremos nas eliminatórias.
A missão de Tite está longe de ser a de levar o Brasil ao seu melhor futebol de outros tempos. Seria injusto cobrar isso do treinador com nossa atual safra de jogadores. Se ele conseguir fazer com o que os seus futuros convocados se orgulhem de estar ali, já será um avanço.