Imagine um sujeito com salário baixo, que usa ônibus e bicicleta para trabalhar, que cozinha sua própria comida, que lava e passa suas roupas, mora em um apartamento de 18 metros quadrados e é tratado como "você".
Com certeza, a última imagem que nos vem à cabeça é a de um político brasileiro. Mas esse é o estilo de vida dos membros do mais alto escalão político na Suécia. Com a economia do Brasil parada e repulsivos casos de corrupção, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, vale a pena refletir um pouco como vivem os parlamentares de um dos países mais igualitários do mundo. Curioso notar que o sistema político sueco é baseado na monarquia e, mesmo assim, conseguiu concretizar o ideal republicano. Já o Brasil, que é uma república, ainda é um país formado por "reis e súditos".
Por lá não existe foro privilegiado e os políticos não são chamados de "vossa excelência". Sequer escolhem essa profissão visando o enriquecimento. O principal objetivo é ter o poder de exercer influência nos rumos da sociedade, que beneficiarão o interesse coletivo.
Em um dos principais motivos para esse sistema funcionar é que toda criança tem escola de qualidade até chegar à universidade. O investimento na educação, certamente, explica o elevado grau de consciência política dos cidadãos. Por isso também, quase não há casos de corrupção. E quando há, o político em questão é praticamente execrado da vida política, não tendo direito sequer de realizar propaganda, o que elimina as chances de uma reeleição.
Parlamentares suecos trabalham em gabinetes de cerca de 15 metros quadrados e não têm direito a secretária, assessor, motorista particular, jatinho, etc. Os vereadores nem recebem salário. Trabalham de casa, ou se reúnem em alguma biblioteca. Isso é respeito pela democracia.
Nada disso significa que os suecos são melhores que outros povos. Livros mostram que a Suécia já foi um país corrupto e que há pouco mais de cem anos era um dos lugares mais pobres e atrasados da Europa. Mas eles transformaram a sua história. E se eles traçaram o rumo de seu futuro, o Brasil também pode. E o caminho passa pelo maior acesso da população a uma educação de qualidade e uma revisão do sistema político.
Claro que comparar esses dois países pode ser injusto. A Suécia é muito menor (o que, teoricamente, facilita a administração), e tem uma democracia muito mais antiga e sólida. No entanto, reformular todo sistema político não parece o caminho que o Brasil deve seguir?