O que se viu anteontem nas ruas da região, principalmente em Suzano, foi um verdadeiro filme de terror. A força da natureza é implacável, e nada pode ser considerado inexorável contra ela. Isso é uma verdade universal e a história da humanidade mostrou isso inúmeras vezes. O que não é normal e em nenhuma hipótese pode ser considerado como tal é a inépcia das autoridades diante das consequências.
A pancada de chuva de granizo com ventos muito fortes, que durou poucos minutos, foi atípica, desproporcional e devastadora. O resultado foram árvores caídas, muros derrubados, placas de publicidade arrancadas, fios de energia elétrica e telefone arrebentados, trânsito caótico e até mesmo morte de uma pessoa.
O incidente que culminou no óbito pode ser encarado como uma fatalidade, algo que poderia ter ocorrido com qualquer um que tivesse parado com o carro para esperar a chuva passar. É possível até tentar achar algum tipo de responsabilidade, principalmente do Poder Público, em relação à ocorrência, uma vez que a parede que caiu era de uma fábrica de mais de 50 anos e abandonada e talvez possa se questionar se a prefeitura, por exemplo, faz algum tipo de mapeamento de imóveis assim.
No entanto, deixando esse aspecto à parte, embora seja imprescindível e que suscita uma atenção maior por parte das autoridades, o que se verificou foi a incapacidade de reação e organização da Prefeitura de Suzano em face das consequências da forte chuva.
A falta de comando, de atitude rápida e de funcionários próprios em número suficiente para ocorrências naturais, especialmente da Defesa Civil, deixou à mercê da própria sorte durante horas todas as pessoas que sofreram com o temporal. O fato deve servir de alerta às demais cidades da região em ocorrências semelhantes no futuro.
O tempo de reação para situações desse tipo precisa ser muito mais rápido. Anteontem, a árvore caída sobre a rua Dr. Prudente de Moraes, principal ligação de Suzano com Mogi, começou a ser removida por volta das 23 horas, sendo que o incidente ocorreu pouco depois das 18 horas. Sem contar que o trânsito no local estava todo desordenado, sem qualquer agente municipal, com veículos entrando na contramão para desviar do obstáculo.
Ainda que seja atípico, o episódio evidenciou uma fragilidade que não pode continuar. E, claro, a necessidade de começar a elaborar, ainda que tardiamente, medidas preventivas para evitar que consequências anormais se tornem ainda mais graves.