O ensino sobre os povos originários ganhou um formato imersivo para professores da rede municipal de ensino de Ferraz de Vasconcelos. Na última terça-feira (14), 40 educadores, cada um representando uma escola, realizaram uma visita à reserva indígena multiétnica Filhos da Terra, localizada em Guarulhos. O local reúne 11 povos de diversas etnias, entre eles Pankararu, Tupi-Guarani, Tapuya, Pankararé. A iniciativa, promovida pela administração municipal, antecedeu o Dia dos Povos Indígenas, celebrado neste domingo (19), e integra as ações pedagógicas da rede voltadas à valorização da cultura originária.
A vivência permitiu o contato direto com diferentes etnias, seus modos de vida, tradições e formas de organização. Segundo a Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, a experiência contribui para o fortalecimento de práticas pedagógicas mais sensíveis, inclusivas e alinhadas à valorização da diversidade cultural, também está sendo avaliada a possibilidade de ampliar a iniciativa com a participação de alunos em visitas à aldeia.
De acordo com dados divulgados pela administração municipal, 90,9% dos participantes aprovaram a iniciativa, como a professora Vitória Tavares Dantas, que é descendente de indígenas. “A minha avó é indígena e eu sofria muito preconceito quando era criança por causa disso, nenhuma criança da rua queria brincar comigo e com os meus primos, pois diziam que ela era uma bruxa. Hoje, viver esse momento para dar mais conhecimento aos professores e consequentemente para as crianças é muito importante”, afirmou a docente.
Integrantes da reserva também destacaram a iniciativa, como a representante do povo Pankararu, Simone Jaciara. “Aqui em terra de Pindorama todos são descendentes de indígenas, vemos isso representado nos nomes das cidades, das comidas e em diversos ditados populares; o nosso objetivo é instigar a curiosidade de todos para conhecer as suas raízes”, afirmou.
Diversidade
O objetivo é que a experiência reflita também em sala de aula. Segundo a Prefeitura, a vivência contribui para que os professores trabalhem a temática indígena com mais contextualização e segurança. A gestão municipal afirma ainda que a iniciativa permite explorar a diversidade de etnias ao incorporar, no ambiente escolar, aspectos culturais que frequentemente são pouco conhecidos ou compreendidos, além de contribuir para a apresentação mais justa da realidade de povos que historicamente enfrentam diferentes formas de discriminação.
A administração municipal informou que a atividade faz parte das ações de formação continuada da rede, que incluem encontros presenciais e on-line, como seminários e palestras.
Vale destacar que o ensino sobre povos originários integra o currículo escolar brasileiro desde a sanção da Lei 11.645, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e dos povos indígenas nas escolas de todo o país.