O cacique Luis Wea Djekipé Lima, da Aldeia M’Boiji, localizada em Mogi das Cruzes, destaca a importância das tradições e da luta dos povos originários neste Dia dos Povos Indígenas, celebrado hoje (19). A aldeia, no bairro Porteira Preta, reúne 19 famílias no Centro Cultural Indígena Mogi das Cruzes, área reconhecida pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), mas o cacique afirma ser responsável por 47 famílias ao todo, incluindo as que vivem em área de floresta. Formada pelos povos Tupinambá e Rexa, a comunidade mantém a cultura e a língua tupi-guarani.
Para o cacique, o Dia dos Povos Indígenas não é tratado como um evento pontual, mas como parte de uma vivência contínua dentro da aldeia. Nessa época do ano, no entanto, ele destaca que a comunidade intensifica as atividades religiosas e promove mais reuniões.
“Nos encontros falamos sobre a luta dos nossos ancestrais, que continua até hoje. É importante transmitir a todos as nossas lutas, o que conquistamos, o quanto sofremos e os desafios atuais. Também realizamos rezas para pedir conselhos e orientações à Tupã e aos nossos ancestrais. Entendemos que todo dia é dia de reflexão sobre nosso povo, nossa fé e nossa cultura, mas também reconhecemos a importância de momentos em que todos os povos originários se reúnem com o mesmo propósito”, explica Lima.
O local recebe visitas de escolas e grupos interessados em vivências culturais e espirituais ao longo de todo o ano. O cacique destaca ainda eventos como o de consagração do mél jataí, ritual que simboliza a união comunitária e a conexão com a natureza. Ele explica que as atividades são abertas ao público e reúnem não apenas moradores de Mogi das Cruzes, mas também visitantes de outras cidades do Alto Tietê, de diferentes estados e até do exterior. Os interessados em agendar uma visita à aldeia podem entrar em contato pelo WhatsApp (11) 95958-0625.
Desafios e conquistas
Entre os principais desafios atuais, o cacique cita a demarcação de terras. A Aldeia M’Boiji foi reconhecida pela Funai em 2024, mas, segundo Lima, não é demarcada. “Continuamos na luta pela demarcação da nossa terra na floresta. Sem o espaço adequado, sem os rios, sem a caça, é muito difícil”, explica.
Apesar das dificuldades, o cacique também reforça avanços importantes, como o reconhecimento da escola indígena dentro da aldeia e a ampliação da estrutura de ensino. “Este ano temos professores contratados da aldeia e também duas professoras da prefeitura. Contamos atualmente com três salas na escola. A prefeitura, através de processo seletivo, também contratou uma cozinheira e mantém a alimentação dos alunos e reformou a cozinha da escola”, afirma.
Ele também relata avanços em infraestrutura e serviços básicos, como a canalização de água tratada, coleta de lixo, manutenção das estradas de acesso ao local, além de atendimentos médicos e campanhas de vacinação realizados na aldeia.