A indústria do Alto Tietê exportou mais de 881 milhões de dólares entre janeiro e novembro e deve registrar crescimento mais moderado em 2026, com avanço estimado de 1,1%. O balanço é do diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Alto Tietê, José Francisco Caseiro, que avalia que o setor manteve resiliência ao longo do ano, apesar de pressões externas, como o tarifaço, e internas, como a instalação de pedágios em rodovias de Mogi das Cruzes.
O diretor regional aponta que do total exportado pela região em 2025, os Estados Unidos concentraram US$ 221 milhões em compras, mantendo-se como o principal destino da produção industrial do Alto Tietê. Entre os itens mais comercializados, ele cita papel e cartão, responsáveis por 21,5% das vendas externas, seguidos por máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, com 19,7%, e por máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que representaram 8,9%.
Na visão de Caseiro, o ano foi marcado por ambiente internacional adverso. Em 2025, a indústria regional, assim como outros mercados globais, foi impactada pelas taxas impostas pelo governo norte-americano. "No entanto, apesar dos impactos, o setor permaneceu resiliente buscando novos mercados, diversificando destinos e ajustando estratégias comerciais", analisou.
Já no mercado interno, um dos entraves apontados foi a instalação dos pórticos de pedágio nas rodovias Mogi-Dutra (SP-088) e Mogi-Bertioga (SP-098). Segundo ele, um fator de aumento do custo produtivo das empresas e de perda de competitividade para a indústria local. A cobrança teve início em novembro pela Concessionária Novo Litoral (CNL).
Próximo ano
Para 2026, o diretor regional do Ciesp reforça a necessidade de avanços em infraestrutura, com expectativa pelas obras estruturais, como a construção da alça de acesso do Rodoanel Mário Covas, entre Poá e Suzano, e a ligação entre a rodovia Ayrton Senna e o distrito industrial do Taboão, em Mogi, consideradas por ele como essenciais para melhorar a logística e os ganhos produtivos. No caso da ligação no Taboão, as obras estão previstas para começar no primeiro semestre de 2026, conforme confirmado na semana passada pelo Grupo EcoRodovias, concessionária responsável pela rodovia Ayrton Senna.
Após um 2025 desafiador, a avaliação de Caseiro para o próximo ano é de cautela. De acordo com projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o crescimento da indústria deve ocorrer em ritmo mais lento, estimado em 1,1%, como reflexo do crédito caro, sendo que para o segmento de transformação, o avanço deve ser ainda menor, de 0,5%. "O CIESP Alto Tietê permanecerá acompanhando os números e atuando de forma estratégica para o próximo ano", finalizou o diretor regional.