O Galpão Arthur Netto retoma as suas atividades e, para este ano, promete uma programação variada em prol da disseminação da cultura na região. Nos próximos quatro finais de semana, já há produções confirmadas, e o primeiro espetáculo, que abrirá os eventos de 2018, será encenado neste domingo. Trata-se da peça "Episódio II: Mileke entre Pedras e Piercings", que é a segunda fase do projeto Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante, desenvolvido pelo núcleo artístico Elemento PER, que vem apoiado pelo Proac, Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. A apresentação será às 19 horas e classificação indicativa é livre. Os ingressos serão no esquema "pague quanto puder". O espaço cultural fica na avenida Fausta Duarte de Araújo, 23, no centro de Mogi das Cruzes.
O núcleo artístico Elemento PER investiga as potências criativas atuais dos vissungos, antigos cantos afro-brasileiros de raiz Bantu. A criação desta obra se desenvolve em torno das memórias de Ivo Silvério da Rocha - considerado o último vissungueiro - no período em que, vindo da Vila de Milho Verde, interior de Minas Gerais, viveu na cidade de São Bernardo do Campo, entre 1972 e 1979. Este período é relatado no livro autobiográfico "Memórias de um Catopê".
No encontro entre cantos de tradição seculares e os corpos cantantes de jovens da era tecnológica, emergem, às vezes suavemente ou em em atrito, diálogos entre as experiências de um mestre da cultura popular de matriz africana - que testemunhou as tensões de uma cidade industrial em plena época de ditadura militar e movimentos sindicais dos metalúrgicos -
e as experiências de seus "irmãos mais novos", que em meio ao brilho fascinante de automóveis e telas, buscam encontrar o sentido e o valor dos velhos diamantes invisíveis, profundamente enterrados.