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A sede do Teatro Contadores de Mentira será palco do espetáculo teatral "O Subversivo". Após uma temporada em Mogi das Cruzes, a produção,que conta com direção e dramaturgia de Tiago Viudes Barboza, será apresentada nesta sexta-feira, às 20 horas, em Suzano. A peça é gratuita e faz parte do projeto homônimo contemplado pelo edital do ProAC LGBT (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo). O centro cultural suzanense fica localizado na rua Major Pinheiro Fróes, 530, no Parque Maria Helena.
A peça apresenta diferentes histórias que se fundem ao tratar dos efeitos castradores do machismo para os que nascem com um falo, sejam homens cis, heterossexuais, gays ou mulheres trans e a necessidade de transcender as barreiras do sexo e gênero nas construções afetivas. O entredo traz um pai e um filho sentados há dez mil anos nas mesmas cadeiras de calçada em uma cidade interiorana, sem conseguir demonstrar afeto. Uma casa de prostituição e os encontros e desencontros nas relações entre dois garotos de programa e um cliente. As lembranças de infância de uma transexual, Verônica.
No elenco, os atores Aleph Naldi, Cassiano Fraga, Ivan Capúa, Marco Antonio Barreto, Ricardo Henrique e a atriz convidada Helena Agalenéa, que dá voz à Verônica, trazem à tona discussões contemporâneas sobre gênero e sexualidade numa obra que denuncia a falta de afeto e as consequências do legado patriarcal, fala de amor e do seu poder transformador, defendendo ser essa a única via possível diante da guerra: o amor como o grande elemento subversivo nessa nossa jornada, capaz de destruir muros e couraças.
Discussão
Com o espetáculo, o dramaturgo Tiago Viudes Barboza estreia na direção após diversos trabalhos realizados no Brasil e no exterior, nos quais coordenou processos de criação em dramaturgia que mesclam teatro, dança, artes visuais e música. Para a concepção de "O Subversivo", o diretor busca "criar uma narrativa e uma estética nas quais vivências aparentemente desconexas se unem como exercício de liberdade. É um texto autoral com traços autobiográficos. "Para mim, por meio da cena, todas as personagens procuram questionar as amarras sociais e extrapolá-las em propostas que ressignificam o habitual", destaca Barboza.
Essa ideia permeia a atuação, que teve preparação corporal de Eduardo Colombo, a luz por Robson Lima, o espaço de cena e a cenografia elaborada por Jose Fernando Sousa, a sonoplastia, criada por Renato Navarro, e o figurino concebido junto ao grupo por Telumi Hellen, artista mogiana radicada em São Paulo e recentemente indicada ao Prêmio Shell de Teatro, contando com a confecção do Ateliê de Costura Salete André Ltda. Também integram a equipe o diretor e professor de teatro Rafael Bicudo, como artista provocador do projeto, e o designer gráfico Alex Hoera.
Nascido em Penápolis, no interior de São Paulo, o diretor da peça conta que desde a sua infância sente na pele o conservadorismo e a opressão que fazem parte do cotidiano e se acentuam em cidades interioranas. Assim, o projeto é também uma resposta frente a isso: "Esses temas não são caros somente ao público LGBT, mas à sociedade como um todo. O respeito à diversidade é uma atitude necessária em todas as relações humanas", explica Bicudo.
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