A questão da tecnologia associada ao universo infantil é um tema em destaque no momento. Afinal, a cultura digital, dos tablets aos computadores, passando pelos jogos de computador e celulares, nos afastam ou aproximam? Quais os limites para expor as crianças às telas? Essas e outras questões são urgentes, e nada melhor do que aproximá-las das produções feitas para as crianças.
Pensando em tudo isso, e em como amenizar o assunto para uma linguagem atraente para os pequenos, o espetáculo "Era uma era", da Cia. Mugunzá, fala sobre o eterno desejo do homem de não ser efêmero, além de abordar temas como tecnologia e interação virtual. A peça está em cartaz na Caixa Cultural, localizada na Praça da Sé, 111, centro de São Paulo. As apresentações são às sextas, sábados e domingos às 15 horas. Informações: 3321-4400. Fica em cartaz até 19 de fevereiro.
No palco, tudo acontece por meio de uma fábula encenada em um andaime de cinco metros de altura, onde os atores se espalham e dão a impressão para o público de estarem diante de uma tela de computador. Interativa, a montagem também faz uso de projeções que estimulam o público a embarcar na história.
O espetáculo foi inspirado no livro "O Decreto da Alegria", de Rubem Alves. “A tecnologia é, sem dúvida alguma, um tema que atinge a todos. Você que escolhe a forma de se relacionar com ela e a partir dela. Se ela separa ou une depende de nossa forma de lidar com isso, mas é inquestionável ”, explica a diretora, Verônica Gentilin.
Para ela, estamos vivendo um momento delicado de transição. Constantemente, as pessoas mais velhas se pegam dizendo que sentem falta do mundo em que crianças subiam em árvore e brincavam na rua. “A questão não é se elas trocaram a árvore real pela virtual, e sim o que é a representação desta árvore para elas hoje. Nosso papel é mediar um mundo que elas não conhecem porque não estiveram nele. Estamos num tempo que pede um encontro sensível entre duas gerações, sem pré-conceitos".