A Defesa Civil de Minas Gerais atualizou na noite de ontem os números de vítimas do desastre de Brumadinho. O órgão informou que são 84 mortes confirmadas e 276 pessoas desaparecidas após o rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, na última sexta. Do total, 42 vítimas já foram identificadas.
Três vítimas fatais foram retiradas de ônibus encontrado e duas que estavam no refeitório da Vale, onde muitos funcionários almoçavam no dia da tragédia. Segundo o porta-voz dos bombeiros, tenente Pedro Aihara, essa indicação é muito significativa para a continuidade das buscas. O tenente Aihara voltou a alertar para notícias falsas que estão circulando na região. Não é necessária a vacinação da população em razão do contato com a lama, afirma. Apenas integrantes da equipe de buscas, devido ao contato prolongado com o material dos rejeitos, devem receber profilaxia especial.
Prisões
A juíza Perla Saliba Brito não acredita que barragens possam se romper de uma hora para outra. Na decisão que determinou as prisões temporárias cumpridas ontem dos engenheiros e funcionários da Vale envolvidos no licenciamento da barragem da mineradora em Brumadinho, a magistrada disse que os laudos assinados pelos investigados não correspondem com a verdade.
"Os documentos acostados demonstram que os representados André Jum Yassuda, Cesar Augusto Paulino e Makoto Manba subscreveram recentes declarações de estabilidade das barragens, informando que aludidas estruturas se adequavam às normas de segurança, o que a tragédia demonstrou não corresponder o teor desses documentos com a verdade, não sendo crível que barragens de tal monta, geridas por uma das maiores mineradoras mundiais, se rompam repentinamente, sem dar qualquer indício de vulnerabilidade", diz a sentença.
Yassuda era diretor e Makoto Namba atuavam, respectivamente, como diretor e engenheiro da empresa alemã Tüv Süd. A polícia foi a três locais na capital paulista: a residência dos dois engenheiros e a sede da empresa.
Outros três funcionários da Vale - César Augusto Paulino Grandchamp, Ricardo de Oliveira e Rodrigo Arthur Gomes de Melo - também foram detidos, na região metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, eles estão diretamente envolvidos no licenciamento da barragem que se rompeu na última sexta-feira.
A juíza Perla é a mesma magistrada responsável por duas decisões judiciais que bloquearam R$ 10 bilhões da Vale. Os cinco detidos serão ouvidos Ministério Público em Belo Horizonte. As prisões têm validade de 30 dias.
Após as prisões por homicídio qualificado, na manhã de ontem de cinco engenheiros que atestaram a segurança barragem 1 da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, o diretor jurídico da Vale, Alexandre D'Ambrósio, gravou um vídeo comentando as operações de busca e apreensão ocorrida no interior da empresa, afirmando que determinou "colaboração total e irrestrita" com as autoridades.