A reforma do Ensino Médio propõe o aumento da carga horária mínima de 800 mil para 1.400 horas anuais (média de 4 a 5 horas diárias), no entanto, contando com um currículo flexível, uma dinâmica diferenciada e a autonomia do aluno para delinear os seus estudos conforme as suas áreas de interesse. Com a mudança, os estudantes poderão compor 40% da grade escolar com um currículo complementar, e cursar, além das disciplinas obrigatórias, as eletivas, que são norteadas pelos cinco itinerários formativos.
É importante destacar que as redes públicas e privadas terão autonomia para avaliar as áreas que atendem às demandas de seus estudantes e, por meio de um balanço geral, definir quais delas oferecerá nas unidades de ensino. Não é obrigatório o oferecimento dos cinco itinerários. Cada escola pode incluir de um a dois deles em sua grade curricular. Caberá, portanto, aos sistemas de ensino a organização das áreas de conhecimento, as competências, habilidades e expectativas de aprendizagem definidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Para o coordenador de projetos do Movimento Todos pela Educação, Caio Callegari, o cenário é de nebulosidade, no entanto, é preciso considerar os prós e contras da reforma. "Existe o lado otimista, oferecer autonomia decisória aos alunos tende a levar uma melhoria ao Ensino Médio. Acredito que pode melhorar os índices e diminuir a evasão escolar. Porém, há nebulosidade quando avaliamos o cenário educacional. Será que conseguiremos avançar com qualidade e equidade? Corre-se
o risco de aprofundar as desigualdades. Oferecemos formações gerais, ampliaremos o currículo e as áreas de interesse, mas será que os alunos menos favorecidos conseguirão ser atendidos na mesma proporção?", aponta.
Fundamental II
Outra questão levantada por Callegari é o diálogo entre os ensinos Fundamental II e Médio. Para que o aprendizado do ciclo final da Educação Básica seja positivo, é necessário que o aluno venha do nível anterior devidamente formado. "Essa conversa é urgente, caso contrário, teremos muitas dificuldades", destaca.