A mitologia grega conta que, quando se aproximava a hora de morrer, a ave Fênix entrava em combustão para depois renascer de suas próprias cinzas. A figura lendária tornou-se um símbolo de força, imortalidade e renascimento. E é por essa razão que o grêmio da Escola Estadual José Sanches Josende, de Mogi das Cruzes, escolheu o pássaro como símbolo e se orgulha de carregar o seu nome na chapa responsável por uma grande mudança e o renascimento da Cultura de Paz na escola.
Com 27 membros, mais os voluntários, o grêmio Fenix é consolidado e exerce muito bem o papel de ligação entre alunos e gestão. "Em nossa escola nós tivemos grêmios anteriores que não estavam indo de acordo com aquilo que propuseram. Então, nós queríamos renascer, fazer coisas novas, porque a escola é para ser um lugar melhor para os alunos, e nós somos a ponte até a gestão para resolver os problemas da unidade", explica o presidente, Gustavo Costa dos Santos Souza.
Projetos idealizados
Entre exposições, shows de talento, oficinas do projeto "Mais Educação", café filosófico, campeonatos, palestras, campanhas do agasalho, preservação do verde na escola, dentre tantas outras iniciativas do grupo que tomou posse em abril, o projeto de destaque é o que promove a Cultura de Paz dentro da unidade. "A nossa escola trabalha muito esse tema, além do belo, do bom e do bem. Conversamos com os alunos e fazemos a mediação necessária. Por exemplo, quando há um conflito, a professora mediadora conversa com os alunos e depois chama o grêmio. Nós também conversamos com eles e é partir daí que surgem os voluntários, pois eles deixam de fazer aquela bagunça para ajudar a escola", explica Gustavo. Para ele, essa é uma maneira de fazer o aluno pensar. "É preciso mostrar que a escola é um lugar bom, pode ser melhor, e que a gente é quem a constrói".
Um exemplo de trabalho feito com base nessa cultura é a fila da merenda, que, de acordo com a vice-segunda-conselheira, Lyndsen Luane, era um momento conturbado. "Nós estávamos tendo problemas com a fila da merenda, que era desorganizada. Decidimos organizá-la, e deu resultado. Mais tarde, os próprios alunos começaram a se reunir, reduzindo os conflitos", conta. Para o grupo, essas ações são significativas e fazem com que os alunos levem os aprendizados de dentro da escola para fora dos muros do colégio.
Uma demonstração disso foi a ação solidária organizada pelo grêmio, que contou com a participação de todos os membros do ambiente escolar. "Um aluno da escola foi diagnosticado com câncer cerebral, a mãe teve que parar de trabalhar para cuidar dele, e o pai tinha deixado a família. Nós pedimos alimentos para todos os alunos, arrecadamos aproximadamente quatro cestas básicas, os professores ajudaram a mãe a pagar as contas da casa, pais ajudaram, igrejas vieram até a escola. Infelizmente, ele faleceu no mês passado, mas, mesmo assim, a gente continua ajudando a mãe dele até que ela consiga um emprego e se estabilize de novo", diz a vice-presidente Arieley Santos.