Na semana passada, neste espaço, critiquei as atabalhoadas declarações do nove presidente do Tribunal de Justiça paulista, ao opinar sobre a prisão após condenação em segundo grau.
Mas, como dizia então, não se restringiu somente a isso a falta de critérios demonstrada.
Ao ser indagado sobre suas metas na condução do Judiciário, brindou a todos com outro momento de incrível alheamento aos tempos atuais deste país em crise!
Não trouxe esperanças àqueles que pensavam em ver magistrado de alto coturno, empenhado em combater os aumentos velados de vencimentos, que, a títulos de abonos - de residência, para compra de roupas, etc. - enxovalham a Justiça e agridem a sociedade; não acenou com a facilitação do acesso do menos privilegiado ao Judiciário; não se ateve à necessidade de rapidez dos julgamentos; enfim, frustrou aos que dele esperavam novidadeiro empenho!
Por outro lado, com franqueza odiosa, e, quem sabe, esgar de felicidade, proclamou que os julgadores de segundo grau devem merecer conforto acima daqueles que já desfrutam, salientando, como remate, que vai iniciar a construção de duas torres para abrigar tais juízes, em terreno de 150 mil metros quadrados, tudo, pela módica quantia de R$ 600.000.000,00 (isto mesmo, seiscentos milhões de reais), pelo menos ao início!
Sempre achei que o templo da fé se encontra em pequenas ermidas, e não nos suntuosos templos!
Da mesma forma, contrariamente ao que pensam os megalômanos que conduzem a terrinha, a Justiça não precisa de palácios para se enaltecer! Em um canto qualquer, em prédios mesmo que humildes basta que seja aplicada com comedimento, imparcialidade, sensibilidade, para que mantenha sua majestade!
Pena que assim não pense o senhor Presidente!
Infeliz, ou dando vazão ao espírito que o anima; esquecendo-se que é servidor de população carente, não lhe competindo pavonear-se com moeda alheia; a verdade é que, digo outra vez, a entrevista foi triste por ...excelência!