O deputado federal e ex-prefeito da capital Paulo Maluf (PP), de 86 anos, foi transferido da superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, e depois de alguns exames no Instituto Médico Legal (IML), encaminhado para o Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciária da Papuda, em Brasília.
Maluf, que exerceu o mandato de prefeito da maior cidade do Hemisfério Sul entre os anos de 1993 a 1997, é acusado pelo Ministério Público (MP) de desviar US$ 400 milhões dos cofres da Prefeitura. Em valores corrigidos, o valor chegaria a US$ 1 bilhão. Depois que a denúncia foi oferecida à Justiça, em maio, foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quase oito anos de prisão, em regime fechado.
Na manhã da quarta-feira passada, Maluf se entregou na Polícia Federal, após decisão do ministro do STF Edson Fachin para que o ex-prefeito começar a cumprir imediatamente a pena pelo crime de lavagem de dinheiro. No dia em que se entregou, o parlamentar mostrou estar bastante debilitado devido a idade e a um câncer de próstata, segundo um de seus médicos.
Muitos de nós estamos vivos para ver alguém como Maluf ser preso por um crime de corrupção. É verdade que outros políticos também foram, e em alguns casos até por crimes maiores, mas saber que o ex-prefeito, que também já foi governador do Estado entre 1979 e 1982, foi realmente detido por um crime, chega a dar uma sensação de esperança para a nossa política, tão judiada e com um modelo de partidarismo falido.
No entanto, outra sensação se mistura à de alívio. Foi necessário passar 20 anos para que o progressista fosse preso, duas décadas que tivemos que esperar para vê-lo atrás das grades. É fato que não podemos tomar essa totalidade de anos, afinal o ex-prefeito não começou a ser investigado logo após o término do mandato, a apuração por parte do MP começou em 2003. Por um lado, temos um político de carreira sólida preso por corrupção, por outro vemos esse mesmo político começar a cumprir a pena 20 anos depois de ter cometido esses desvios. Difícil lidar com essa mistura de sentimentos.