Um pedaço esquecido de Suzano. É assim que muitas pessoas veem a região do Rio Abaixo, em especial a estrada do Furuyama, que está completamente abandonada do início ao fim, com direito a muito lixo e uma onda de novas invasões e barracos.
A equipe de reportagem do Dat esteve no local nesta semana e conferiu que o comentário feito pelos moradores a respeito da inércia da administração municipal diante da precariedade do bairro não se trata de exagero, mas sim de realidade.
No início da estrada, ainda na rotatória de acesso à avenida Francisco Marengo, já é possível ver o lixo descartado irregularmente se acumulando nas margens da via. Toda sua extensão, até a chegada da favela do Rio Abaixo, está tomada pela sujeira. Neste ponto da via é possível identificar também dezenas de novos barracos de madeira, que brotam como árvores em meio à parte da vegetação que ainda não foi arrancada.
As moradias precárias foram erguidas recentemente. Nelas é possível ver o nome, escrito com tinta, dos invasores que ocuparão aquele espaço. No local é possível ver que algumas árvores foram arrancadas e a vegetação desmatada para dar lugar à nova comunidade que se forma sem qualquer tipo de impedimento.
Em meio às moradias irregulares estão o lixo descartado pelos próprios invasores, os "gatos" para conseguir energia elétrica e o esgoto, despejado sem qualquer tratamento às margens do rio Tietê, que corre ao lado da estrada.
"Os barracos estão aumentando e ninguém faz nada. Nós vemos carros da Prefeitura passando por aqui, vendo a sujeira aumentar e a invasão crescer, mas nada é feito. O Rio Abaixo é uma terra abandonada, um pedaço esquecido e ignorado pelas autoridades", avaliou a dona de casa Maria Gomes da Silva, de 35 anos, que está construindo sua casa em um terreno próximo da estrada. "Tenho vergonha de trazer uma visita minha aqui, tendo que passar por esse caminho destruído. Para o meu pai, por exemplo, eu expliquei uma outra forma de chegar, assim ele não precisa passar por essa sujeira toda", detalhou.
Prefeitura
Questionada pelo Dat sobre ações de fiscalização para impedir as invasões, a Secretaria de Planejamento Urbano e Habitação de Suzano se limitou a informar que "tomou conhecimento recentemente do fato e que os técnicos da pasta estão avalizando a situação para tomar as medidas necessárias no local".