O deputado federal Roberto de Lucena (PV-SP) protocolou na Câmara dos Deputados, em Brasília, dois projetos de lei para restringir o gasto de dinheiro público com os partidos políticos e tornar o financiamento de campanhas eleitorais mais transparente e democrático. As propostas de mudança na Constituição se alinham com a reforma política que está em votação no Congresso Nacional.
No projeto de nº 8286/2017, Lucena propõe o fim do Fundo Partidário e estabelece que os partidos sejam financiados por seus filiados, por meio de contribuições voluntárias. O objetivo é reduzir o gasto do dinheiro público com os partidos, especialmente num momento como o atual, quando o déficit público do Brasil chega a R$ 159 bilhões.
Segundo o deputado, o projeto se ajusta a uma maior austeridade no orçamento da União. "Aumentar impostos é sempre o mais amargo dos remédios para o povo e estamos correndo esse risco diante da iminente decisão da Comissão Especial da Reforma Política de estabelecer um Fundo Eleitoral de
R$ 3,6 bilhões".
Já o projeto de nº 8288/2017 garante a divulgação na Internet da escrituração contábil dos partidos e a identificação dos doadores de campanhas eleitorais. "O eleitor tem o direito de conhecer os financiadores daqueles que se apresentam como candidatos a representá-lo", justifica.
Ele também se posicionou contra a proposta de estabelecer na reforma política o modelo de "distritão" para as eleições proporcionais. Lucena entende que isso dificulta a renovação política e o acesso de novas lideranças. 
Além disso, ele criticou a atual composição do Congresso: "O Congresso não tem credibilidade para promover a reforma. Não acredito numa reforma proposta pelo Congresso que aí está. O certo seria a criação de uma constituinte".