A atuação de vendedores ambulantes no centro de Ferraz de Vasconcelos tem sido uma concorrência desleal e injusta para os comerciantes que atuam de maneira regular e pagam todos os impostos, segundo avaliação dos próprios lojistas. Nas bancas dos informais há relógios, itens eletrônicos e acessórios para celulares, além de produtos pirateados com valores muito abaixo do mercado legal e que oferece nota fiscal e garantia aos consumidores.
Os vendedores ambulantes estão espalhados por todo o centro comercial da cidade e se tornaram um obstáculo até para os pedestres, já que eles ocupam as calçadas na avenida XV de Novembro e as praças da Bíblia e da Independência, na região da estação ferroviária, onde há grande circulação de pessoas.
Há quase cinco meses, a Prefeitura informou que até o mês de abril um projeto seria elaborado para a regularização dos trabalhadores informais, mas a proposta ainda não saiu do papel e os camelôs continuam atuando ilegalmente e gerando conflitos com o comércio regular.
Leonardo Yuri, de 28 anos, sente o reflexo nos lucros. Ele tem um comércio de acessórios para celulares, os mesmos produtos encontrados nas barracas dos camelôs. A diferença é que Leonardo paga impostos e oferece nota fiscal pelos itens vendidos no estabelecimento, o que gera uma concorrência conflitante. "Lá na rua eles vendem a mesma coisa, só que mais barato, porque não têm que pagar os mesmos tributos que eu. Isso prejudica bastante. Se não fosse a atuação desses ambulantes, as minhas vendas poderiam aumentar 50%", avaliou.
Além dos prejuízos financeiros, tem também a questão da poluição visual, como observou a vendedora Jenifer Oliveira, 21. "Acho que a cidade fica feia com as barracas. Sem contar que tropeçamos neles sem querer e, quando isso acontece, eles ainda nos xingam", contou. "Fora a questão do prejuízo. As lojas pagam impostos e os ambulantes não".
Alguns comerciantes que pediram para ter a identidade preservada relataram a venda de produtos piratas, que, além de crime, geram prejuízos para o comércio que atua com itens dentro da legalidade. "Os camelôs vendem os mesmos produtos que eu, mas sem nota e sem ter que pagar impostos. Eles conseguem vender os produtos com valores ainda mais baixos do que eu compro para revender. Eu pago aluguel, funcionários e muitos tributos para trabalhar de maneira correta. Essa é uma concorrência injusta", afirmou a proprietária de uma loja no centro da cidade, adiantando que os comerciantes organizarão um abaixo-assinado para cobrar uma providência do Poder Público.