Foi enquanto tomavam café em uma padaria e comentavam, informalmente, a crise pela qual passava o Brasil, cerca de três anos atrás, que Marcelo da Silva Cavalheiro Mendes, o Maquininha do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Papel, Papelão e Cortiça de Mogi das Cruzes e Região, e a administradora Michele Zambotto, da Advocacia Zambotto, tiveram a ideia de criar uma iniciativa que pudesse ter uma utilidade social, auxiliando a ressocializar e reinserir, no mercado de trabalho, pessoas que sofrem qualquer tipo de discriminação.
Batizado de Projeto Oportunidade do Futuro (POF), o plano ganhou a adesão da fábrica Multiverde Papéis Especiais, localizada em Mogi, que já contratou 30 pessoas indicadas por eles e pelo advogado Carlos Alberto Zambotto, também do escritório de advocacia que abraçou a causa social.
Ontem, Mendes, Zambotto e Michele, além do presidente do sindicato, Márcio Cruz, o Bob, e o gerente de Recursos Humanos (RH) da empresa Multiverde, Claudeci Francisco da Cruz, explicaram mais detalhes ao professor de Direito da Universidade Braz Cubas (UBC), André Ricardo Gomes de Souza, que é mestre em Ciências Políticas e quis conhecer o projeto, e também ao Grupo Mogi News.
"Nosso objetivo é ajudar as pessoas que não conseguem arrumar emprego por terem antecedentes criminais, doenças preexistentes, idade avançada, menos idade, menos experiência ou por sofrerem qualquer tipo de discriminação, porque isso, infelizmente, ainda existe, seja por causa da cor, raça, credo religioso ou opção sexual", afirmou Mendes.
Para ele, não adianta só ficar discutindo questões e não "arregaçar as mangas". "Queremos tirar as pessoas do tráfico, das esquinas e dar oportunidades àqueles que saíram do sistema prisional e outros que, apesar de não terem problemas anteriores com a Justiça, não conseguem arrumar trabalho por vários motivos, a fim de 'reinseri-los' na sociedade e tirá-los dessa situação de exclusão", frisou Mendes, que busca ainda parcerias médicas e de psicólogos para o projeto.