Mesmo após o enfrentamento da crise hídrica que provocou seca e colocou o Estado de São Paulo em alerta entre os anos de 2014 e 2015, o consumo de água em Mogi das Cruzes ainda está longe de ser considerado ideal no aspecto "ecologicamente correto". Dados do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) apontam que ao longo do ano passado cada mogiano consumiu em média 200 litros de água por dia. O valor corresponde a quase o dobro do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Isso porque, para a entidade, cada pessoa necessita de apenas 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene.
O volume de água consumido pelos mogianos é ainda 80% maior que a média diária registrada em sete cidades da região. Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, ao longo do ano passado a população do Alto Tietê consumiu cerca de 41,8 milhões de metros cúbicos de água nas cidades de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Poá, Salesópolis e Suzano. Tal montante representa um consumo médio diária de aproximadamente 111 litros por habitante.
Questionado pela reportagem sobre quais ações estão sendo adotadas no município para incentivar o consumo consciente da água, o Semae informou que "realiza companhas com materiais informativos distribuídos em unidades do Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC), ações como o programa Semae de Portas Abertas, que aborda a importância da água e medidas de economia", explicou. Além disso, destacou ainda que "para o público infantil, criou o jogo "Amigos da Água", em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, para o desenvolvimento de atividades nas escolas da Rede Municipal de Ensino".
A Sabesp também foi questionada sobre o consumo de água per capita por município, porém, os índices individualizados não foram informados. A autarquia frisou apenas que realiza ações de conscientização quanto ao consumo racional, como palestras de sensibilização realizadas em escolas, comunidades e empresas.
Além disso, a empresa lembrou ainda que possui o Programa de Uso Racional da Água (Pura), criado em 1996, direcionado às entidades públicas da administração direta (Secretarias de Estado, Prefeituras e unidades do Governo Federal). "As ações envolvem adequações prediais com equipamentos e tecnologias voltados para a economia de água, remanejamento de redes, campanhas educacionais, detecção e correção de vazamentos internos e acompanhamento do consumo em tempo real", concluiu.