Jesus afirma nas Escrituras que a carne é fraca e é certo que por essa natureza dos líderes do setor de produção e distribuição de carne no Brasil, bem como dos respectivos fiscais do governo, chegamos a mais este episódio nefasto. Quando é para ganhar dinheiro, o homem parece não ter limite em suas ações, abdica de valores morais e éticos, não se importando que outras pessoas sejam prejudicadas de variadas maneiras e intensidades, como no caso em tela. Já não resta dúvida quanto à má conduta de atores e empresas no episódio, mas não devemos ser temerários e radicais no julgamento: equilíbrio, análise, serenidade e firmeza são necessários para decidir o que fazer diante da situação. Escrevo isto porque vemos manifestações do tipo: "não compro mais carne", "vou virar vegetariano ou vegano" e similares. É óbvio que cada um faz aquilo que lhe apraz, mas não será o caso de avaliar o todo e considerar que há empresas e gente sérias no segmento, bons produtores rurais e pecuaristas que nada têm a ver com as práticas condenáveis constatadas? Por outro lado, será sensato que aqueles que tanto apreciam esse alimento e seus derivados, abram mão do prazer de um bom churrasco, sem uma avaliação mais criteriosa da questão? Já estamos acostumados a encarar escândalos e falcatruas: não é para considerar isso normal, mas temos que saber lidar com os reveses, especialmente, no Brasil ... e segue a vida. Creio que é o caso de redobrar a atenção na aquisição de cada um dos tipos de produto que possam ser adulterados, contaminados e afins, passar a observar a origem e suas características de forma mais profunda e só comprar com convicção. Como costumo dizer, os dissabores da vida devem servir, ao menos, positivamente, para o aprendizado e quem sabe este, seja um alerta para apertarmos o crivo nas compras, em geral. Enfim, nem condenemos a todos os possíveis envolvidos, temerariamente; nem transijamos a ponto de considerar normal uma ocorrência ultrajante como essa.