A falta de funcionários na Escola Municipal Professor Michel Alves de Souza, no Jardim Maragogipe, em Itaquaquecetuba, tem tirado o sossego de pais de alunos que estudam no local. A principal preocupação é com a segurança das crianças, que, segundo eles, não estão tendo o devido acompanhamento.
De acordo com os reclamantes entrevistados ontem, por causa da falta de pessoal, até mesmo os menores, de apenas 4 anos, estão tendo que descer as escadas e ir ao banheiro sozinhos.
E foi justamente ao realizar esse percurso dentro da unidade que a filha da dona de casa Katia Pereira Fonseca, de 41 anos, acabou tropeçando e caindo. "Não tem cabimento uma criança deste tamanho descer a escada sem ninguém para acompanhar. Desta vez não foi nada sério, ela apenas ralou a perna. Mas e se tivesse caído lá de cima da escada? A gente não entende o motivo da Prefeitura de Itaquá ter tirado os funcionários daqui", disse.
A mesma indignação é compartilhada pela dona de casa Luzia Karine do Carmo Santo, 27, mãe de uma menina de 4 anos. "Deixamos os filhos na escola porque precisamos, mas não ficamos sossegadas. A escada é muito perigosa e muitas crianças não estão acostumadas. Não faz o menor sentido eles irem ao banheiro sozinhos. A prefeitura precisa resolver isso logo", reclamou.
A falta de funcionários tem impactado também em outros setores. Segundo os pais, os serviços de limpeza estão sendo realizados pelos próprios professores e membros da direção da escola. "Em relação à equipe que está trabalhando, não temos do que reclamar. Eles são ótimos e estão se desdobrando como podem, mas não tem como darem conta de tantos alunos. Agora estão até limpando a escola", comentou Katia.
Diante dessa situação, alguns moradores do entorno até se dispuseram a atuar como voluntários. Foi o caso da autônoma Cilene Ribeiro dos Santos, 41. "O que o prefeito fez foi uma vergonha. Nós pais até nos prontificamos a vir ajudar para que as crianças não fiquem correndo este risco. Mas é a prefeitura quem tem que resolver isso. Quando foi para pedir voto eles vieram e agora na hora de fazer o que precisa eles não fazem", criticou. 
Ainda segundo as queixas, as crianças também saem sozinhas das classes quando vão embora. No entanto, ontem, na presença da equipe de reportagem, os pais foram convidados a entrar para buscarem seus filhos, o que não era comum. 
Em resposta, o governo Mamoru Nakashima (PSDB), por meio da Secretaria de Educação, informou apenas que "os profissionais estão sendo realocados gradativamente, mediante a necessidade da unidade escolar".