Quando Cármen Lúcia assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), no início deste semestre, o que a população viu foi uma imagem forte, de uma pessoa que não faz jogos e está sempre preparada para cumprir a Lei. Já nesta semana, o que se viu foi uma presidente abatida, vencida e imponente diante das entranhas da política nacional. Claramente, Cármen Lúcia levou uma "rasteira" de seus colegas ministros e claro do "expert" e nome mais importante em Brasília, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB).
O que vemos hoje é muito mais sujo e preocupante do que observávamos quando Eduardo Cunha (PMDB) era presidente da Câmara dos Deputados. Um homem cercado de comparsas, de defensores e acima da Lei, e quem sabe, do bem e do mal. Renan parece ter mais poderes do que o presidente da República Michel Temer (PMDB). Como ele comanda o Senado, onde tudo precisa ser aprovado para virar lei, o político mostra que toda sua experiência o ajudou a domar, como ninguém, um bom número de políticos dispostos a se vender pelo poder.
A saída de Renan da presidência do Senado, decretada pelo ministro Marco Aurélio de Mello, mesmo que do ponto de vista do povo brasileiro que vai às ruas protestar contra a corrupção, fosse justa, não foi cumprida. Há toda a parte jurídica, constitucional, para que um ato seja aprovado. O ministro Marco Aurélio afirmou que está satisfeito por ter sido ele o primeiro a tentar retirá-lo do cargo. Logo, este senador deixará a presidência e, não por isso, as investigações contra ele devem continuar sendo realizadas.
A presidente do STF parecia ser o nome que faltava para colocar a casa em ordem. Um novo Joaquim Barbosa? Não. As imagens nos enganaram. Aquela postura firme, cara emburrada e focada nos assuntos, não venceu o poderoso presidente do Senado, que saiu pela porta da frente e acenando aos jornalistas e amigos políticos, como se tivesse conquistado um título, um troféu. No final de 2016, Renan Calheiros é o campeão da esperteza. Se manteve no cargo, conseguiu se segurar na queda de Dilma Rousseff (PT), Cunha e tantas outras denúncias.
O Brasil já voltou às ruas para criticar a postura do STF e a situação de Renan. Parece que outras manifestações estão previstas. O povo entendeu o recado: é preciso espernear bastante para que alguém faça o que deve ser feito. Carmen Lúcia parecia uma salvadora, mas joga o mesmo jogo de seus colegas.