Os pacientes transplantados, que necessitam de remédios de alto custo, não podem contar com a única Farmácia de Medicamentos Excepcionais (FME) do Alto Tietê, localizada em Mogi das Cruzes. Isso porque a unidade, pertencente ao governo estadual, está há mais de dez dias sem micofenolato de sódio. O medicamento é um imunossupressor para transplantados renais.
"O remédio é de uso contínuo e imprescindível para a manutenção do enxerto, pois evita que o corpo rejeite o órgão transplantado", explicou Aline Simonic, de 33 anos, que recebeu o transplante de um rim há dez anos. Ela necessita tomar o medicamento três vezes ao dia.
Aline busca, mensalmente, 90 comprimidos para dar continuidade ao tratamento. Segundo ela, o remédio está indisponível desde o início do mês, e uma caixa para cerca de um mês custa entre R$ 1.064 e R$ 2,5 mil. "É um medicamento muito caro e eu não tenho condições de arcar com o custo. Preciso muito dele para a manutenção do transplante, senão, eu corro o risco de o corpo rejeitar o rim. Estou muito preocupada", disse Aline, que mora em Poá e tem ido todas as semanas buscar apoio no Hospital Santa Marcelina, localizado no bairro Itaquera, em São Paulo. "Não sei até quando eles vão fornecer o remédio para mim", conta.
Responsabilidade
O Núcleo de Assistência Farmacêutica informou, através da Secretaria Estadual da Saúde, que é competência do Ministério da Saúde a compra e distribuição do remédio em questão aos Estados. "Além de atrasar em mais de 20 dias a entrega do medicamento, foi entregue apenas 50% do quantitativo necessário para atender aos pacientes do Estado de São Paulo", ressaltou a pasta, por meio de nota, afirmando que a reposição será feita assim que o ministério entregar o medicamento faltante.
Por sua vez, o Ministério da Saúde afirmou que o medicamento faz parte do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica e reconheceu que a responsabilidade de compra é da pasta. Apesar da queixa de Aline e da Secretaria da Saúde, o Ministério afirma que a entrega está regular: "A pasta enviou em outubro 1.038.840 comprimidos para atendimento aos pacientes de São Paulo. Cabe às Secretarias de Saúde dos Estados e do Distrito Federal realizar o armazenamento, a distribuição e a dispensação desses medicamentos".