O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) realizou um total de 8,1 mil atendimentos à pessoas em situação de rua, no período de janeiro de 2010 a outubro deste ano. Só neste ano, o Creas atendeu 306 pessoas até o mês passado, das quais 71% exercem alguma atividade remunerada e 16% declararam viver em situação de mendicância. Deste total, apenas 10,6% são mulheres. Os dados foram divulgados ontem pela coordenadora do Creas, Renata Pires, durante o Fórum de Debate, cujo tema era voltado à população de rua.
Entre 2008 e 2016, o Creas cadastrou cerca de duas mil pessoas. "A maioria dessas pessoas declararam ter saído de casa por conflitos familiares. No entanto, se juntarmos as incidências de dependência alcoólica com a dependência química, os números superam aos de conflitos familiares", explicou Renata. "É bom lembrar que, os que possuem atividade remunerada, são aqueles que atuam nas ruas como flanelinha, ou vendendo balas no farol".
Renata ainda explicou que parte das pessoas em situação de rua são "trecheiros", ou seja, aqueles que não têm local fixo, estão na cidade de passagem e ficam circulando de município em município. "Em abril e julho foram os meses com maior incidência de 'trecheiros', foram cerca de 53 e 54 cadastrados no Creas", revelou.
Dos 306 cadastros realizados pelo Creas, apenas 215 declararam terem nascido em Suzano. "Isso não significa que são suzanenses de nascença, mas que adotaram Suzano como sua residência", explicou a coordenadora.
A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Leonice Ramos Ferreira, também participou do evento, e destacou os trabalhos que são realizados pela pasta, através do Creas, lembrando da importância da participação de outras pastas. "A gente só consegue avançar se envolver outras áreas como a Saúde, Educação, Economia e até a sociedade civil". Ela ainda lembrou que o serviço de acolhimento realizado em parceria com a Pastoral Bom Samaritano atende cerca de 50 pessoas. (F.F.)