Anderson Lessa, de 35 anos, morador de Suzano, trabalhava em sua oficina de motos antes de se tornar cadeirante. Ele viu a vida mudar quando sofreu um acidente de trânsito em 2013, que o deixou paraplégico. Mesmo assim, resolveu que não deixaria de praticar esportes e substituiu a motocicleta pelo paraglider.
"Tive duas paradas cardíacas e várias lesões em órgãos internos, tendo uma lesão grave em duas vértebras da coluna torácica. Depois de dois anos me recuperando e fazendo muitas sessões de fisioterapia pela instituição AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), me veio o interesse de praticar algum esporte", detalha.
Como adorava esportes radicais desde a adolescência, tendo praticado bicicross, surfe e motocross, ele não se identificou muito com as modalidades específicas para cadeirantes.
"Então tive uma lembrança que eu sempre ia ao Pico do Urubu, em Mogi das Cruzes, e tinha esse velho sonho de voar de paraglider. Comecei a ir para lá com meu carro, que é adaptado, todos os finais de semana, para ver os pilotos voando. Conheci meu instrutor de voo da escola Mídia Fly de Salesópolis, Daniel Rocha de Souza. Ele me levou para um voo e me lembro que foi indescritível a sensação de, depois de dois anos, em uma cadeira de rodas, poder voar", explica. "Foi como se a minha deficiência tivesse sumido e eu partido para outra dimensão. Foi fantástico", completou.
Lessa conversou com o instrutor e disse que gostaria de ser piloto, ter seu próprio instrumento e voar sozinho, e foi aí que tudo começou.
O profissional abraçou a causa e afirmou que era possível, porém, teriam que treinar muito e que ele estava disposto a torná-lo um piloto de paraglider. "Iniciamos as aulas teóricas e as práticas no chão, ainda na cadeira de rodas, e ele fez vários voos de instrução comigo. Passei por todos os testes citados e, assim que fosse feito um 'trike' (espécie de carrinho), eu estava pronto para voar sozinho. Hoje, já estou com seis voos, sendo que dois foram voos da montanha, durante uma hora, e outro de 40 minutos", contou o esportista, que agora aguarda a chegada da habilitação, pois já foi aprovado como piloto.