Subir e descer escadas quando se tem mobilidade reduzida, alguma deficiência ou há necessidade de carregar inúmeras sacolas, malas ou um carrinho de bebê. Situações extremamente difíceis e desconfortáveis, mas que fazem parte da rotina de centenas de pessoas que passam diariamente pelas estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) Engenheiro Manoel Feio e Aracaré, em Itaquaquecetuba, ambas pertencentes à Linha 12 - Zafira.
Durante o período em que esteve ontem nos locais, a reportagem foi abordada por dezenas de pessoas que se queixaram das dificuldades enfrentadas para utilizar o transporte. Além da ausência de acessibilidade, os usuários reclamam também de problemas na estrutura, já que, por serem bastante antigas, as estações já não comportam mais a atual demanda de passageiros.
Na estação Manoel Feio o principal problema é a escadaria, caminho obrigatório para quem precisa atravessar de uma plataforma para outra. É o que destaca a aposentada Sonia Maria dos Santos Cézar, de 61 anos. "A escada é horrível. Além dos degraus, que complicam a vida de idosos e de quem tem deficiência, ela está velha. Tenho receio de que ela acabe caindo qualquer dia", reclamou.
A queixa é compartilhada por Nilson Ribeiro, 53, que possui mobilidade reduzida. "Essa estação é muito ruim. Sempre que preciso usar o trem é esse sofrimento. Tenho que subir essa escadaria toda, mesmo tendo dificuldade para caminhar", lamentou.
Para o mestre de instalações João Batista, 54, o ideal era que a estação passasse por uma modernização, assim como ocorreu na região. "Acho que essa é a pior da região. Em Suzano fizeram reforma, em Poá também. Só Itaquá está desse jeito. Nós pagamos o mesmo valor pelo serviço, por que não fazem nada aqui?", questionou.
Transtornos
Já, em Aracaré, os transtornos começam já na entrada da estação. Isso porque o embarque, de ambos os lados, se dá após a escadaria, e quem precisa utilizar o trem é obrigado a subir e descer dezenas de degraus.
Se a falta de acessibilidade traz desconfortos para quem não possui nenhuma limitação, é ainda mais grave para cadeirantes. O técnico de manutenção, Marcos Ribeiro, 61, disse que já flagrou diversas pessoas passando por esse transtorno. A situação é considerada por ele "desumana". "Essa escada é horrível. Pra gente já é complicado, mas para os deficientes é sem condições", contou o usuário.
Para os idosos a situação não é muito diferente. É o que reclama a dona de casa Sandra Helena, de 53 anos. "É um sufoco ter que subir e descer isso tudo. Eu ainda consigo andar sem problemas, mas tem muitas senhoras que levam meia hora só pra conseguir chegar na plataforma. É uma vergonha", salientou.