Na manhã de ontem, a Polícia Federal (PF) desencadeou uma operação intitulada "Mala Direta" na capital e também em quatro municípios da Grande São Paulo, onde desmantelou uma quadrilha que falsificava selos e fraudava a remessa de várias mercadorias pelos Correios. Pelo menos dois empresários de São Paulo, além de alguns funcionários de agências localizadas em Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato e Cotia foram identificados como participantes no esquema.
Os policiais federais cumpriram nove mandados de prisão, três de condução coercitiva e 19 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) auxiliou nas investigações e apurou que funcionários concursados estariam atuando em um sistema paralelo de postagens de boletos, revistas e malas diretas.
O esquema de fraudes foi desarticulado logo após a instauração de um inquérito policial em junho do ano passado, depois que a EBCT desconfiou de uma ação clandestina que utilizava a estrutura dos Correios, porém, faturada para outras empresas de transporte de encomendas.
De acordo com a Polícia Federal, a fraude tinha início assim que os produtos eram recebidos pelas equipes, pois as pesagens já eram feitas adulteradas, com listas de faturamento suprimidas e dados falsos inseridos nos sistemas de informações dos Correios. A quadrilha ainda adicionava cargas irregulares para serem distribuídas, gerando um prejuízo de cerca de R$ 647 mil no período de dois anos.
A pedido da Polícia Federal, as pessoas investigadas tiveram todos os bens bloqueados pela Justiça. Eles responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e associação criminosa, com penas que variam de um a doze anos de prisão, informaram os delegados Thiago Borelli Tomaz e Alberto Ferreira Neto, durante entrevista coletiva realizada ontem na sede da PF, na Lapa, na capital.
Veículos e altas somas em dinheiro também foram identificados nos nomes de alguns dos envolvidos e terão sua procedência verificada, finalizou a Polícia Federal.