Algo que temos criticado e condenado, insistentemente, é a mania de assumir como verdade, acusações e denúncias sem se deter sobre as mesmas, sem buscar elementos que comprovem as tais. Nessa esteira, temos muitos "papagaios de mídia e afins" espalhados pelo Brasil, sendo certo que essa conduta só atrapalha o ser humano, pois quando presumimos, muitas vezes erramos. Nesta reta final das eleições de segundo turno, vemos muitas campanhas abandonando a discussão de propostas para se fundar em acusações e xingamentos, muitos deles sem lastro, reduzindo-se a meras suspeitas ou até mentiras ardilosamente forjadas.
De alguma forma, os comentários em torno disso e a propagação dessas marcas negativas que colam em candidatos podem ser definitivos na escolha, sendo que, em última instância, a mentira ou a difamação podem eleger alguém. Então, resta ao eleitor, muita cautela e algum trabalho de investigação para votar ou deixar de votar por este ou aquele motivo.
A questão não é simples porque envolve os candidatos, seus apoiadores ou líderes políticos ligados a esses e é difícil separar o joio do trigo: verdades que parecem mentiras e mentiras que parecem verdades. Nestes tempos áureos das delações premiadas, então, chovem acusações e denúncias das mais variadas ordens, envolvendo inúmeros nomes e mais uma vez ficamos tentados a nos afastar desses tais, só para não correr o risco de nos envolver com criminosos e contraventores, mas assim, podemos cometer grande injustiça, pois as acusações podem ser forjadas e mentirosas como muito já ocorreu! Há também que se considerar a morosidade dos processos administrativos e judiciais que nos exaure a paciência e nos empurra para nossas próprias conclusões, no entanto, por outro lado, temos o sábio ditado do latim: "In dubio pro reo" - se há dúvida, a inclinação deve ser pela absolvição.
Bem, o mais sensato é mesmo investigar ao máximo e escolher com a melhor segurança possível, porém, nunca agir a partir da presunção, afinal, outro ditado, este, norte-americano, define bem o mal de presumir: "If you assume, you make an ass of you and me." - se você presume, torna-nos tolos, a você e a mim. Que Deus nos dê discernimento!